Quem é São Damião de Molokai
São Damião de Molokai é o santo que escolheu a companhia dos que ninguém queria por perto. Nasceu na Bélgica com o nome de Joseph de Veuster e foi missionário no Havaí, onde pediu para servir no lugar mais evitado do arquipélago.
Naquela época, quem contraía hanseníase no Havaí era deportado para uma colônia isolada na ilha de Molokai, na região de Kalaupapa, e não voltava. Era um lugar de onde não se saía, e foi para lá que ele foi.
A origem, com as datas
Ele passou dezesseis anos entre os doentes, e não como visitante: morava ali, cuidava dos enfermos, construía, sepultava os mortos e celebrava a Missa para aquela comunidade.
Em 1884, depois de anos de convivência, contraiu a própria doença que atendia. Continuou o trabalho como doente entre doentes, e morreu em 1889, com 49 anos.
O que existe hoje
Foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 11 de outubro de 2009, depois de a Igreja reconhecer duas curas atribuídas à intercessão dele.
A história dele atravessou o campo religioso. Ele é apontado como referência e inspiração para o cuidado de pacientes com HIV e outras doenças que carregam estigma, justamente porque enfrentou o isolamento imposto aos doentes da época e escolheu ficar do lado deles.
Onde visitar
No Havaí, o endereço é Kalaupapa, na ilha de Molokai, hoje um sítio histórico que preserva a memória da colônia e da presença dele. Em Honolulu, a catedral guarda referências ao santo.
Na Bélgica, terra natal dele, há memória nas casas da congregação a que pertenceu. No Brasil, a devoção é ainda pequena, e é justamente por isso que a história vale ser contada.
Quando a Igreja celebra
A memória dele é celebrada em maio. O dia exato não foi confirmado nesta pesquisa, e por isso não é afirmado aqui: quem precisar da data deve conferir no calendário da diocese ou no Martirológio.
Coisas que pouca gente sabe
Ele pediu para ir. Não foi designado por castigo nem por sorteio: ofereceu-se para servir na colônia da qual os missionários eram poupados, sabendo o que aquilo significava.
Outro dado: no Havaí ele é figura civil, e não apenas religiosa. O estado o reconhece como um dos seus personagens históricos, e a estátua dele representa o Havaí no Capitólio dos Estados Unidos.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que ele contraiu a doença por descuido ou por falta de proteção. A hanseníase daquele tempo não tinha tratamento eficaz, e ele viveu dezesseis anos em contato diário com os doentes: o risco era conhecido e assumido.
Também se confunde São Damião de Molokai com os santos Cosme e Damião, que são outros, mártires do século III e IV, muito conhecidos no Brasil.
E há quem imagine que a colônia era um hospital. Era um lugar de deportação: quem ia, ficava, e é isso que dá a medida da escolha dele.
Como e quando rezar
Reza-se a São Damião de Molokai por doentes que carregam estigma, por quem cuida de doente contagioso e por quem se sente descartado pela própria sociedade.
Um modo concreto e no espírito dele é rezar por alguém internado ou isolado e, se possível, visitar essa pessoa. A devoção dele não combina com oração à distância.