Quem foi São Cláudio de la Colombière
São Cláudio de la Colombière foi um padre da Companhia de Jesus, nascido na França em 1641 e morto em 1682, com 41 anos.
O nome dele aparece sempre ligado a duas coisas: o Sagrado Coração de Jesus e a confiança em Deus. A primeira porque foi ele quem examinou, sustentou e divulgou a devoção que nascia em Paray-le-Monial. A segunda porque as anotações espirituais dele sobre entregar-se a Deus continuam sendo lidas quase quatro séculos depois.
A origem, com as datas
Ele nasceu em 2 de fevereiro de 1641, em Saint-Symphorien-d'Ozon, na região do Delfinado, no sudeste da França.
Entrou na Companhia de Jesus aos 17 anos, no noviciado de Avignon, e fez os primeiros votos em 1660. Estudou Teologia no Colégio de Clermont, em Paris, e foi ordenado padre depois de terminar esses estudos, em 1666.
Em 2 de fevereiro de 1675, no dia em que completava 34 anos, fez a profissão solene, o compromisso definitivo de um jesuíta. No mesmo ano assumiu como reitor do colégio de Paray-le-Monial, na Borgonha. Foi ali que a vida dele mudou de rumo.
O que aconteceu em Paray-le-Monial
Em Paray-le-Monial vivia Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Visitação, que relatava revelações do Coração de Jesus. Relato assim costuma ser recebido com desconfiança, e era o caso.
São Cláudio foi o padre que examinou o que ela contava, reconheceu ali obra de Deus e passou a defender e divulgar a devoção. A encíclica Dilexit nos, publicada pelo Papa Francisco em 24 de outubro de 2024, resume isso numa frase: "Quando São Cláudio de La Colombière soube das experiências de Santa Margarida, tornou-se imediatamente seu defensor e divulgador."
O trabalho dele não foi só de apoio. Ele juntou aquela experiência mística aos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola e deu à devoção um caminho seguro: não confiar nos próprios sacrifícios, e sim abandonar-se no amor de Cristo.
A prisão em Londres
Em 1676, os superiores o mandaram para a Inglaterra como pregador da duquesa de York, Maria de Módena, que anos depois se tornaria rainha. No fim de outubro daquele ano ele já ocupava um apartamento no palácio de St. James, em Londres.
Era o pior momento possível para um jesuíta estar na Inglaterra. No fim de 1678, ele foi acusado falsamente de participar de uma conspiração católica contra o rei e ficou três semanas preso na cadeia de King's Bench. Saiu por decreto real, expulso do país, com a saúde arruinada.
Voltou à França e, no verão de 1681, retornou a Paray-le-Monial, já gravemente doente. Morreu em 15 de fevereiro de 1682.
O que a Igreja disse dele
O Papa Pio XI o declarou beato em 16 de junho de 1929. O Papa João Paulo II o canonizou em 31 de maio de 1992, na Basílica Vaticana.
Na homilia daquele dia, o Papa citou uma frase escrita pelo próprio santo, em francês: "J'ai un cœur libre", ou seja, tenho um coração livre. É o resumo da espiritualidade dele: quem confia em Deus não fica preso nem a si mesmo.
Em 2024, a encíclica Dilexit nos voltou a ele nos parágrafos 125 a 128, citando uma oração e um caderno de anotações de janeiro de 1677. Poucos santos do século 17 recebem tanto espaço num documento papal do século 21.
Onde visitar
O lugar dele é Paray-le-Monial, cidade pequena da Borgonha, na França, que recebe peregrinos do mundo todo por causa do Sagrado Coração. O corpo dele está ali, na capela que leva o nome de La Colombière.
Quem quiser completar o roteiro pode passar por Saint-Symphorien-d'Ozon, perto de Lyon, onde ele nasceu. No Brasil não existe santuário dedicado a ele, e o caminho mais próximo é procurar as casas dos jesuítas e os grupos do Apostolado da Oração, que vivem dessa mesma espiritualidade.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 15 de fevereiro, dia da morte dele. A festa do Sagrado Coração de Jesus, que ele ajudou a firmar, é móvel: cai na sexta-feira depois da segunda semana seguinte a Pentecostes.
Coisas que pouca gente sabe
Ele nasceu e fez a profissão solene no mesmo dia do calendário, 2 de fevereiro, com 34 anos de diferença.
A mulher a quem ele servia como pregador em Londres, Maria de Módena, virou rainha da Inglaterra em 1685, três anos depois da morte dele.
E há um detalhe que explica muita coisa: a oração mais conhecida do santo não pede milagre nenhum. Pede confiança. Começa dizendo que ele está convencido de que Deus cuida de quem se entrega a Deus.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que ele recebeu as revelações do Sagrado Coração. Não foi ele: as revelações foram relatadas por Santa Margarida Maria Alacoque, e o papel dele foi outro, examinar, aprovar e divulgar. Sem esse trabalho, o relato dela talvez tivesse morrido no convento.
Também é comum ouvir que ele foi preso por algum crime na Inglaterra. A acusação foi falsa, montada dentro de uma perseguição política aos católicos, e ele foi solto e expulso, não condenado.
Como e quando rezar
Reza-se a São Cláudio de la Colombière pedindo confiança em Deus quando falta controle sobre a própria vida: doença, perda de trabalho, decisão difícil, injustiça sofrida.
Ele também é procurado por quem passa por acusação injusta, por causa da prisão em Londres, e por quem faz direção espiritual, porque foi isso que ele fez a vida inteira.