Quem foi São Ciro
São Ciro nasceu em Alexandria, no Egito, na segunda metade do século 3, e ficou conhecido na cidade como médico que curava e não cobrava.
Essa é a origem do apelido que a Igreja guardou: anárgiro, palavra grega que quer dizer sem prata, ou seja, sem dinheiro. Ele está no grupo dos santos médicos que atendiam de graça, o mesmo grupo de São Cosme e São Damião.
A origem, com as datas
Alexandria era a maior cidade científica do mundo antigo, e ser médico reconhecido ali significava fila na porta e dinheiro garantido. Ele escolheu outro caminho.
A tradição guardou uma frase dele que resume o modo como entendia o próprio trabalho: quem quer evitar a doença deve afastar-se do pecado, porque muitas vezes o pecado é a causa dela. Era medicina e catequese na mesma consulta.
Quando a perseguição apertou, ele deixou a cidade e passou a viver como monge no deserto, onde continuou atendendo quem o procurava.
O martírio, em 311
Numa nova onda de perseguição, quatro mulheres cristãs foram presas em Canopo, perto de Alexandria. Ciro e o companheiro dele, João, um soldado, foram até lá para dar coragem às presas.
Foram descobertos, presos e torturados. Em 31 de janeiro de 311, as quatro mulheres foram decapitadas, e os dois tiveram o mesmo fim. A data do martírio é a data da festa até hoje.
Onde estão as relíquias
Os corpos dos dois foram sepultados em Canopo, num templo dedicado ao apóstolo Marcos.
Por volta do século 10, dois monges levaram as relíquias para Roma, onde a colônia de alexandrinos da via Portuense construiu para eles um templo que existe até hoje, conhecido como Santa Passera. Em 1600, por obra do cardeal Francesco Sforza, as relíquias foram levadas para Nápoles e colocadas na Igreja do Gesù Nuovo, onde estão.
O que existe hoje
A devoção a São Ciro é forte no sul da Itália, principalmente na região de Nápoles, onde ele é padroeiro de cidades e dá nome a paróquias e hospitais.
No Egito, a tradição liga o nome da localidade de Abu Qir, na costa perto de Alexandria, ao nome dele. No Brasil a devoção é pequena e restrita a comunidades de origem italiana, e a festa de 31 de janeiro é o caminho mais direto para rezar a ele.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 31 de janeiro, dia do martírio. As Igrejas do Oriente lembram também 28 de junho, dia em que as relíquias foram transladadas, e 17 de outubro, festa de todos os santos anárgiros.
Coisas que pouca gente sabe
Anárgiro não é nome nem sobrenome: é uma categoria. A Igreja chama assim os santos médicos que atendiam sem cobrar, e há uma festa comum para todos eles.
Ele e o companheiro João são celebrados sempre juntos, e nas imagens antigas aparecem em dupla, um de hábito de monge e outro com traje de soldado.
E a história do martírio começa por um gesto pequeno: eles não foram presos pregando na praça, foram presos porque foram visitar mulheres na cadeia.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde os santos anárgiros entre si, e no Brasil isso quase sempre significa confundi-lo com São Cosme e São Damião, que são outros dois, celebrados em 26 de setembro.
Também é comum imaginar que ele foi apenas um monge do deserto. Ele foi médico formado e reconhecido na maior cidade científica do mundo antigo, e a medicina que ele fazia de graça é a razão pela qual o nome dele ficou.
Como e quando rezar
Reza-se a São Ciro por doentes e por quem cuida deles, especialmente por médicos, enfermeiros e agentes de saúde que atendem gente sem recurso.
É também a oração de quem trabalha em serviço público de saúde e de quem enfrenta doença longa, sem alta e sem previsão.