Quem foi São Brás
A Oração de São Brás é rezada por quem tem problema de garganta e por quem usa a voz para trabalhar: professor, cantor, locutor, vendedor, quem passa o dia falando. Ele é o santo que a Igreja invoca contra os males da garganta, e a memória dele é em 3 de fevereiro.
Brás nasceu na Armênia, foi médico antes de ser bispo, e chegou a bispo de Sebaste. Morreu mártir no início do século IV, por volta de 316, por não sacrificar aos deuses pagãos. O Martirológio Romano registra a data assim: em Sebaste, na Armênia, a paixão de São Brás, bispo e mártir.
O menino da espinha de peixe
A razão de ele ser o santo da garganta está numa cena curta, guardada nas Atas da vida dele.
Um menino estava engasgado com uma espinha de peixe e a ponto de morrer. Levaram-no a Brás, que rezou uma oração breve sobre ele. O menino ficou bom.
É uma história pequena, e é exatamente por isso que se espalhou: qualquer mãe entende o desespero daquela cena, e qualquer pessoa já sentiu, em algum grau, o susto de não conseguir respirar.
Vale notar quem ele era antes de bispo: médico. Não é coincidência que a devoção a ele tenha nascido de um atendimento.
As duas velas vêm do cativeiro
Aqui está o detalhe que explica o gesto que milhões de brasileiros recebem sem saber por quê.
Preso por causa da fé, Brás recebeu de um amigo um presente para o calabouço: um par de velas, para ter luz ali dentro. É por isso que as imagens dele o mostram segurando duas velas.
E é por isso que a bênção da garganta é feita com duas velas cruzadas. Elas não são um instrumento de poder: são a lembrança de um presente que alguém levou a um homem preso, para que ele não ficasse no escuro.
Quando o padre encosta as duas velas na garganta de alguém, está repetindo, em gesto, a história de uma amizade dentro de uma prisão.
O que se pede na oração de São Brás
A oração é curta e tem um final que muda o sentido do pedido.
Ela começa lembrando o menino salvo com uma breve oração e pede a graça de experimentar o mesmo cuidado em todos os males da garganta. Pede que a garganta seja conservada sã e perfeita.
E então diz para quê: para que possamos falar corretamente e, assim, proclamar e cantar os louvores de Deus.
Ou seja, a oração não pede saúde como um fim. Pede a voz de volta para usar a voz. Quem trabalha falando ou canta na Missa costuma reconhecer nesse pedido exatamente o que sente quando fica sem voz.
A bênção das gargantas: como é feita
Em 3 de fevereiro, muitas paróquias brasileiras oferecem a bênção de São Brás depois da Missa, e a forma é simples.
O sacerdote ou o diácono segura duas velas cruzadas, encosta-as junto à garganta da pessoa e reza a fórmula própria: por intercessão de São Brás, bispo e mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
É uma bênção, e é isso que ela é: um pedido da Igreja feito sobre alguém. A força não está na vela nem na posição em que ela é segurada, está na oração que a Igreja reza ali, em nome de Cristo.
Não é preciso levar nada, não há taxa, não há número de vezes. Basta chegar.
Por que a bênção não é só para a garganta
Muita gente sai da fila achando que recebeu uma bênção só para dor de garganta, e a própria fórmula diz outra coisa.
Ela pede livramento do mal da garganta e de qualquer outra doença. A garganta é o caminho por onde essa devoção entrou, por causa do menino, mas o pedido é de saúde inteira.
Isso explica por que tanta gente procura essa bênção levando outra intenção no coração: um exame marcado, um tratamento em curso, um filho doente. O pedido cabe.
3 de fevereiro
A memória de São Brás é em 3 de fevereiro, e no Brasil a data é conhecida sobretudo pela bênção.
É uma das devoções mais antigas do calendário: São Brás está entre os santos que a Europa medieval reunia como auxiliadores, invocados em necessidades concretas do corpo, e a devoção a ele atravessou séculos por esse motivo prático.
Quando se reza a São Brás
Reza-se em 3 de fevereiro, na memória e na bênção.
Reza-se por criança engasgada, e vale dizer o que é obvio e necessário: engasgo é emergência, e a primeira coisa a fazer é socorrer e procurar ajuda médica. A oração acompanha quem está cuidando.
Reza-se por quem tem problema crônico de garganta, tireoide, rouquidão, e por quem vai operar da região.
E reza-se por quem vive de falar, que talvez seja o grupo que mais deveria conhecer esse santo: professor no fim do bimestre, cantor antes de subir, quem trabalha em telefone o dia inteiro.