O que é o Santo Sepulcro
Santo Sepulcro é o túmulo onde o corpo de Jesus foi colocado depois da crucifixão, em Jerusalém, e é também o nome da Basílica construída em volta dele. Os cristãos do Oriente preferem outro nome: Anastasis, palavra grega para Ressurreição, e os gregos ortodoxos chamam o templo de Igreja da Ressurreição.
A devoção não é ao túmulo como objeto. É à Ressurreição, e o lugar é venerado justamente porque está vazio.
A origem, com as datas
O imperador Constantino mandou erguer a Basílica sobre o lugar, e a dedicação aconteceu em 13 de setembro de 335. A tradição atribui à mãe dele, Helena, o encontro da Cruz naquela escavação, e a capela mais baixa do templo até hoje se chama Capela do Encontro da Cruz.
Depois disso, o Sepulcro atravessou quase tudo o que uma construção pode atravessar. Foi incendiado na invasão persa de 614, destruído quase por completo pelo califa al-Hakim em 1009 e restaurado em 1048. Os cruzados tomaram Jerusalém em 15 de julho de 1099, e Saladino a retomou em 2 de outubro de 1187. Em 1342, o Papa Clemente VI confirmou aos frades franciscanos a custódia dos lugares santos. Vieram ainda o incêndio de 1808, o Edículo novo erguido pelos gregos em 1810 e o terremoto de 1927.
O que existe hoje
Em 1852, o sultão formalizou o chamado Status Quo, que congelou a situação daquele momento e até hoje é o instrumento que resolve disputa entre as comunidades cristãs do templo. Ele define de forma concreta o espaço de cada uma, os horários das celebrações, os trajetos e o modo de conduzi-los. Latinos, gregos e armênios dividem a custódia formal, e coptas, sírios e etíopes também têm lugar ali.
Entre 2016 e 2017, uma equipe da Universidade Técnica Nacional de Atenas, dirigida pela professora Antonia Moropoulou e formada por cerca de cinquenta profissionais, restaurou o Edículo, a pequena construção que guarda o túmulo. A gaiola de ferro que o segurava desde 1947 saiu, e o Edículo restaurado foi inaugurado em 22 de março de 2017.
Desde 2022 corre uma segunda frente, esta arqueológica: a escavação do piso, conduzida pela Universidade Sapienza de Roma sob a professora Francesca Romana Stasolla. A análise de pólen e de restos de plantas apontou oliveiras e videiras de cerca de dois mil anos, e indicou que o lugar foi pedreira, depois terra cultivada e depois cemitério.
Onde visitar
O endereço é a Cidade Velha de Jerusalém, no Bairro Cristão. Quem entra encontra primeiro a Pedra da Unção, junto à porta. À direita, uma escada íngreme sobe ao Calvário, dividido em duas capelas. No centro da rotunda está o Edículo, com o vestíbulo chamado Capela do Anjo e, atrás dele, a câmara do sepulcro. Nos níveis mais baixos ficam a Capela de Santa Helena, dos armênios, e a Capela do Encontro da Cruz.
Quando a Igreja celebra
O Sepulcro não tem festa própria no calendário porque ele é o centro do Tríduo Pascal. Na Sexta-feira Santa, a Igreja inteira faz a Coleta dos Lugares Santos, que é a principal fonte de sustento da Custódia da Terra Santa, junto com as peregrinações. No Sábado Santo o altar fica nu, e a Vigília Pascal anuncia exatamente o que aquele lugar guarda.
Coisas que pouca gente sabe
A rocha do túmulo ficou coberta por uma laje de mármore colocada em 1555 e só voltou a ser vista em outubro de 2016, quando foi aberta por sessenta horas, nos dias 26, 27 e 28. São 461 anos entre uma data e a outra.
Outro dado pouco lembrado: os franciscanos restauraram a cúpula da Anastasis em 1719, e a cúpula atual foi restaurada e inaugurada em 1997. As escavações mais completas do século XX, dirigidas pelo frade Virgílio Corbo, ocuparam de 1960 a 1973.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde o Santo Sepulcro com o Sudário de Turim. São coisas distintas: o Sepulcro é o lugar do sepultamento, em Jerusalém, e o Sudário é um tecido de linho guardado na Itália.
Outra confusão frequente é com o Jardim do Túmulo, também em Jerusalém, proposto no século XIX por autores protestantes como lugar alternativo. A tradição cristã antiga e a arqueologia apontam para o sítio onde está a Basílica.
Há ainda quem imagine que o templo pertence a uma única confissão cristã. Não pertence, e o Status Quo existe justamente porque são várias, cada uma com direitos definidos.
Como e quando rezar
Reza-se no Santo Sepulcro pedindo fé na Ressurreição, sobretudo quando a morte entra em casa. A oração do peregrino é feita ali mesmo, de joelhos, com a mão na pedra.
Quem não pode viajar costuma rezar em casa na Sexta-feira Santa e no Sábado Santo, acompanhando a Via-Sacra até a última estação, que é o sepultamento. Um Pai-Nosso e um Credo diante da cruz de casa fecham a oração, e a Coleta da Sexta-feira Santa é o modo concreto de sustentar quem cuida do lugar.