Quem foi Santo Onofre
Santo Onofre foi um dos chamados padres do deserto, monges cristãos que se retiraram para o Egito nos primeiros séculos da Igreja em busca de uma vida de oração radical.
Ele começou em um mosteiro da região da Tebaida, em vida comunitária, e depois deixou a comunidade para viver como eremita, sozinho. Nesse regime passou algo entre sessenta e setenta anos.
A vida no deserto
O modelo que ele seguia era o de São João Batista e do profeta Elias: alimentar-se do que o deserto desse, orar sem interrupção e não depender de ninguém.
O relato preservado conta que ele falava com franqueza da fome e da sede que enfrentou, e também do consolo que recebeu de Deus, alimentando-se dos frutos de uma tamareira que ficava perto da gruta onde morava.
Como a história dele chegou até nós
Aqui está um dado que vale saber: a única fonte antiga sobre a vida dele é o relato de um abade chamado Pafúncio, que o encontrou no deserto.
Ou seja, tudo o que a Igreja guarda sobre Santo Onofre passa por esse encontro. É uma biografia contada por quem topou com ele no fim da vida, e não por um discípulo que o acompanhou.
A devoção hoje
Ele é venerado tanto pela Igreja Católica quanto pela Igreja Copta, tradição cristã do Egito, o que é próprio dos santos do primeiro milênio.
No Brasil, a devoção a ele é forte e antiga, e aparece em orações populares de pedido, sobretudo por proteção e por sustento. Vale a nota: quem procura essa oração encontra material de todo tipo na internet, e a referência segura é sempre o material católico, de paróquia, diocese ou santuário.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 12 de junho, mesma data no Oriente e no Ocidente, o que é sinal de devoção anterior às divisões entre as duas tradições cristãs.
Onde visitar
Não há santuário brasileiro de referência para ele. Os lugares ligados à memória dele ficam no Egito, na região do deserto da Tebaida, e nas comunidades coptas que preservam a tradição dos padres do deserto.
Coisas que pouca gente sabe
Ele viveu mais tempo sozinho no deserto do que a maioria das pessoas vive no total naquele período histórico. A biografia dele chegou até nós por um único encontro, contado por outro monge. E ele é santo das duas tradições, católica e copta, sem disputa entre elas.
O que muita gente acredita e não é verdade
Corre por aí a ideia de que a oração a ele funcione como fórmula, com número de repetições e resultado garantido. A fé católica não trabalha assim: oração é pedido confiante, não mecanismo.
Também há quem confunda o nome com o de lugares e pessoas chamadas Onofre, que são muitos no Brasil. O santo é o eremita egípcio do século IV, com festa em 12 de junho.
Como e quando rezar
É santo de quem enfrenta escassez, de quem vive isolado e de quem precisa aprender a viver com pouco. Também é procurado por quem passa por período de deserto interior, aquela fase em que a oração não parece render nada.