Quem é Santo Inácio de Antioquia
Santo Inácio de Antioquia é um dos primeiros nomes da Igreja depois dos apóstolos. Foi bispo de Antioquia, na Síria, no século II, e é conhecido também pelo epíteto grego Theophoros, que quer dizer portador de Deus.
A importância dele não está numa obra escrita com calma, e sim em sete cartas redigidas na pior situação possível: acorrentado, sendo levado para morrer.
A origem, com as datas
Foi condenado, no reinado do imperador Trajano, que governou entre 98 e 117, a ser dilacerado pelas feras em Roma. O trajeto da Síria até a capital do império foi feito como prisioneiro, sob escolta.
Foi nesse caminho que ele escreveu. As sete cartas foram enviadas às comunidades de Éfeso, Magnésia, Trales, Roma, Filadélfia e Esmirna, e uma delas foi dirigida a Policarpo, irmão dele no episcopado. Nelas, o que mais impressiona são as expressões de amor a Cristo escritas por quem sabia exatamente o que o esperava no fim da viagem.
A expressão que ele cunhou
Há uma frase dele que atravessou dezoito séculos e está na identidade da Igreja até hoje. Escrevendo aos cristãos de Esmirna, Inácio afirma que onde aparece o bispo, ali esteja a multidão, do mesmo modo que onde está Jesus Cristo, ali está a Igreja católica.
É o primeiro uso registrado da expressão Igreja católica, ou seja, universal. Quem diz o nome da Igreja Católica hoje está repetindo o vocabulário de um bispo do século II a caminho da morte.
O que existe hoje
As sete cartas são leitura obrigatória em qualquer estudo sério sobre a Igreja primitiva, porque mostram como as comunidades estavam organizadas menos de cem anos depois de Cristo: com bispo, presbíteros e diáconos, e com a Eucaristia no centro.
Os cristãos de Antioquia veneravam desde a antiguidade o sepulcro dele, junto às portas da cidade, e já no século IV celebravam a memória em 17 de outubro, data que continua no calendário.
Onde visitar
Antioquia, hoje Antáquia, no sul da Turquia, é o endereço histórico: foi lá que ele foi bispo, e é a cidade onde, segundo os Atos dos Apóstolos, os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez.
Em Roma, o Coliseu é o lugar tradicionalmente associado ao martírio dele, e o percurso que ele fez acorrentado atravessa boa parte do Mediterrâneo antigo.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 17 de outubro, e a data é antiquíssima: já no século IV os cristãos de Antioquia celebravam nesse dia.
Coisas que pouca gente sabe
Ele pediu, por escrito, que ninguém tentasse salvá-lo. Nas cartas, roga às comunidades que não interfiram para impedir o martírio, e essa insistência é um dos traços mais discutidos e mais impressionantes dos textos dele.
Outro dado: as cartas dele são a primeira testemunha clara, fora da Escritura, de que a Igreja do século II já tinha bispo à frente de cada comunidade. Isso faz delas documento central em qualquer discussão sobre a estrutura da Igreja antiga.
O que muita gente acredita e não é verdade
A confusão mais comum é com Santo Inácio de Loyola, o fundador dos jesuítas, do século XVI. São dois santos separados por catorze séculos: Inácio de Antioquia é bispo mártir da Igreja primitiva.
Também se pensa que a palavra católica foi criada muito depois, num concílio. O primeiro uso registrado está numa carta dele, escrita no caminho para o martírio.
E há quem imagine que as cartas dele foram escritas em liberdade, num escritório. Foram escritas por um condenado em trânsito, o que muda completamente o peso do que está nelas.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo Inácio de Antioquia por unidade na comunidade, pelo bispo da própria diocese e por firmeza em situação sem saída. É o santo de quem escreve, ensina ou lidera sob pressão.
Em 17 de outubro, um modo simples é ler um trecho de uma das cartas dele e rezar pela Igreja da própria cidade. Rezar pelos cristãos perseguidos hoje é o costume mais coerente com a história dele.