Quem é Santo Humberto
Santo Humberto é o nome que circula no Brasil para Huberto de Liège, bispo do século VIII e padroeiro dos caçadores. Nas duas grafias é o mesmo santo, e os documentos antigos costumam trazer Huberto.
Ele não nasceu pobre. Era filho primogênito de Bertrand, duque da Aquitânia, e neto do rei Cariberto de Toulouse, e viveu como fidalgo antes de mudar de vida.
A origem, com as datas
Casou-se com Floribana, filha do conde Dagoberto de Louvain, e teve um filho, Floriberto. A vida dele mudou de rumo depois da conversão, quando tomou Santo Lamberto como diretor espiritual e passou a colaborar com ele na administração da diocese.
Lamberto foi assassinado, e Humberto acabou nomeado bispo em seu lugar. Em 720 transladou as relíquias de Lamberto de Maastricht para Liège, e no ano seguinte, em 721, elevou aquele templo a catedral. É o gesto que faz de Liège a sé episcopal e o que liga o nome dele à cidade até hoje.
Morreu em 30 de maio de 727, em Tervuren, na atual Bélgica. Algumas fontes registram 728, e a divergência não está resolvida.
Por que a festa é em novembro
Se ele morreu em maio, a data de 3 de novembro estranha à primeira vista. A explicação está no traslado das relíquias, levadas em 825 para a abadia de Andain, nas Ardenas, hoje a cidade de Saint-Hubert. As fontes indicam que 3 de novembro é a data desse traslado, e foi ela que ficou no calendário.
O cervo com a cruz, e de onde vem
A cena é a mais conhecida dele. A tradição narra que Humberto perseguia um cervo magnífico quando o animal se voltou e ele viu uma cruz entre os chifres, ouvindo uma voz que o chamava a mudar de vida. Ele desmontou, prostrou-se e perguntou o que devia fazer, e a resposta foi procurar Lamberto, que o instruiria.
O que quase ninguém conta é a origem dessa cena. Ela aparece antes na história de Santo Eustáquio, o general romano que teria visto a mesma cruz entre os chifres de um cervo, e só foi atribuída a Huberto a partir do século XV, séculos depois da morte dele.
O que existe hoje
Ele é padroeiro dos caçadores, e a lista de invocações é maior do que parece: guardas florestais, matemáticos, fundidores, quem trabalha com cães, e é invocado contra a raiva e a mordedura de cães. É padroeiro também da cidade de Liège, na Bélgica.
Na Idade Média, várias ordens militares levaram o nome dele, e nas Ardenas a cidade de Saint-Hubert guarda a tradição até hoje, com celebrações em novembro.
Onde visitar
Na Bélgica, o roteiro passa por Liège, onde ele levou as relíquias de Lamberto e criou a sé, e por Saint-Hubert, nas Ardenas, onde as relíquias dele foram levadas em 825.
No Brasil a devoção é discreta e chega quase sempre por dois caminhos: pelas comunidades de origem europeia e por quem trabalha com cães e teme a raiva, que é a invocação mais antiga ligada a ele.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 3 de novembro. A data corresponde ao traslado das relíquias, e não à morte, que foi em 30 de maio.
Coisas que pouca gente sabe
Ele era casado e pai antes de ser bispo, e a mudança de vida dele aconteceu na maturidade, não na juventude.
Outro dado curioso: entre as invocações dele estão os matemáticos e os fundidores, ao lado dos caçadores. São padroados antigos, herdados dos ofícios que se colocavam sob a proteção dele nas cidades do norte da Europa.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente conta a visão do cervo como fato biográfico. Ela é tradição, não relato histórico, e foi atribuída a ele somente a partir do século XV, tomada da história de Santo Eustáquio.
Também se supõe que Humberto e Huberto são dois santos diferentes. É o mesmo, com duas grafias do nome, e no Brasil a forma com M é a mais usada.
E há quem imagine que a festa em 3 de novembro é a data da morte. A morte foi em 30 de maio; novembro marca o traslado das relíquias, em 825.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo Humberto por quem convive com animais e depende deles, por quem trabalha em mata e floresta, e por quem precisa de uma virada de vida na maturidade, quando já parece tarde para mudar.
Em 3 de novembro, um modo simples é rezar por quem cuida de animais e por uma conversão que se esteja adiando, e pedir a coragem que ele teve de trocar o cavalo pela mitra.