Quem é Santo Estêvão
Santo Estêvão é o primeiro mártir do cristianismo, e é por isso que a Igreja o chama protomártir, que significa exatamente primeiro mártir. É reconhecido como santo pelos católicos, pelos ortodoxos e pelos anglicanos.
Antes disso, ele foi diácono. Era um dos sete primeiros diáconos, escolhidos e ordenados pelos apóstolos para servir a comunidade, e por isso é hoje o padroeiro dos diáconos.
A origem, com a história na Bíblia
A história dele não vem da tradição: está na Bíblia, nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos, e isso a torna rara entre as biografias de santos antigos.
Ele foi escolhido junto com outros seis para cuidar do serviço às viúvas e aos pobres, para que os apóstolos pudessem se dedicar à pregação. Mas Estêvão também pregava, e pregava com força, o que o levou a ser acusado e levado ao tribunal.
O discurso dele diante dos acusadores é um dos textos mais longos dos Atos, e termina com a visão do Filho do Homem à direita de Deus. Foi essa frase que provocou a condenação.
O apedrejamento, e quem estava lá
Ele foi levado para fora da cidade e apedrejado. Morreu pedindo perdão para quem o matava, o que espelha o que Jesus fez na cruz.
E entre os presentes, guardando as roupas de quem atirava as pedras, estava Saulo, o futuro São Paulo, então perseguidor de cristãos. Muitos Padres da Igreja, como Santo Agostinho, atribuem a conversão de Saulo às orações de Santo Estêvão.
É a ligação mais impressionante do Novo Testamento sobre o efeito de uma oração feita na hora da morte.
O que existe hoje
Quando as relíquias dele foram encontradas, em 415, causaram forte comoção entre os fiéis, e o culto a ele se espalhou por toda a cristandade.
Ele é padroeiro dos diáconos, dos pedreiros e da Itália, e o nome dele está em catedrais e paróquias no mundo inteiro, inclusive no Brasil.
Onde visitar
Em Jerusalém, a memória dele está ligada ao lugar tradicionalmente indicado como o do apedrejamento, fora das muralhas da cidade antiga.
No Brasil, o caminho é uma Paróquia Santo Estêvão na semana do Natal: a festa dele cai em 26 de dezembro, e é ali que a data é celebrada com missa própria.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 26 de dezembro, no dia seguinte ao Natal. A proximidade não é coincidência: a Igreja põe o primeiro mártir imediatamente depois do nascimento de Cristo, para dizer que o presépio e a cruz estão na mesma história.
Coisas que pouca gente sabe
O nome dele significa coroa, em grego, e a iconografia costuma representá-lo com pedras, com a palma do martírio e às vezes com uma coroa.
Outro dado: ele foi diácono, não sacerdote. O primeiro a morrer pela fé cristã não era padre nem apóstolo: era um servidor da mesa dos pobres que também sabia pregar.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que o primeiro mártir cristão foi um apóstolo. Foi um diácono, e o primeiro apóstolo martirizado, Tiago Maior, morreu depois dele.
Também se confunde este Estêvão com Santo Estêvão da Hungria, o rei, que é outro santo, com festa em 16 de agosto. A base tem verbete próprio para nomes parecidos, e vale conferir de qual se trata.
E há quem estranhe a festa cair no dia 26 de dezembro, achando que é erro de calendário. É proposital, e faz parte da lógica do tempo do Natal.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo Estêvão pelos diáconos, por quem serve os pobres em nome da Igreja, por quem é perseguido no trabalho por dizer a verdade, e pela graça de perdoar quem faz mal.
Em 26 de dezembro, um modo simples é rezar pelo diácono da sua comunidade e por uma pessoa que você precisa perdoar, repetindo o que ele disse ao morrer: não leves em conta o que fizeram.