Quem foi Santo Estêvão da Hungria
Ele nasceu no fim do século X, filho do príncipe Geza e da rainha Sarolta, e recebeu o nome de Vajk. No batismo passou a se chamar Estêvão, e com esse nome virou o primeiro rei da Hungria.
Casou-se com a Beata Gisela da Baviera, irmã do imperador Henrique II, que também é santo. A família inteira entrou para os altares: o filho deles, Emérico, é Santo Emérico.
Não é o Santo Estêvão da Bíblia
Este é o ponto que mais confunde, e vale resolver logo: existem dois santos com esse nome, e eles não têm relação um com o outro.
O Santo Estêvão dos Atos dos Apóstolos é o protomártir, o primeiro cristão morto por causa da fé, apedrejado em Jerusalém, celebrado em 26 de dezembro. Este aqui é um rei da Europa Central, mil anos depois, celebrado em 16 de agosto.
Quem procura oração a Santo Estêvão precisa saber qual dos dois quer.
A coroação do ano 1000
No dia de Natal do ano 1000, Estêvão foi coroado rei da Hungria com o título de Rei Apostólico, e a coroa veio das mãos do Papa Silvestre II.
Isso não era detalhe de protocolo: significava que o novo reino nascia ligado à Sé de Pedro, e não ao imperador. A Hungria entrou na história cristã por esse gesto, e é dele que o país celebra o próprio nascimento até hoje.
O que ele fez com o reino
O povo estava acostumado a cultuar vários deuses, e Estêvão não desistiu por causa disso. Organizou dioceses, sustentou a pregação, deu leis ao reino e apostou no exemplo pessoal para converter os húngaros.
Ele deixou ao filho Emérico um conjunto de conselhos sobre como governar sendo cristão, texto que atravessou mil anos e continua sendo citado.
A coroa oferecida a Maria
O gesto mais lembrado da vida dele é o do fim: Estêvão ofereceu a própria coroa à Virgem Maria, entregando a nação húngara à proteção dela.
Em 21 de agosto de 2000, no primeiro milênio da coroação, João Paulo II enviou uma mensagem ao povo húngaro lembrando isso, e escreveu que Estêvão deixou aos húngaros um testamento espiritual, uma herança de valores fundamentais.
O que existe hoje
Estêvão morreu em 15 de agosto de 1038, na festa da Assunção de Maria, e foi sepultado na basílica que ele mesmo havia mandado construir em Székesfehérvár, que chegou a ser uma das maiores da Europa.
Foi canonizado em 1083 pelo Papa Gregório VII, junto com o filho Emérico e o bispo Gerardo Sagredo. Na Hungria ele é o santo nacional, e a coroa que leva o nome dele é o símbolo do país.
Onde visitar
O roteiro passa por Székesfehérvár, onde ficam as ruínas da basílica em que ele foi sepultado, e por Budapeste, onde a Basílica de Santo Estêvão é o templo mais conhecido da capital.
Quando a Igreja celebra
No calendário de toda a Igreja a memória é 16 de agosto.
Na Hungria a data oficial é 20 de agosto, dia da trasladação das relíquias dele, e virou também a festa nacional do país.
Coisas que pouca gente sabe
Ele morreu no dia da Assunção, 15 de agosto, e é por isso que a memória no calendário caiu para o dia seguinte: 15 de agosto já é uma solenidade de Maria.
A coroa oferecida a Maria explica um costume húngaro antigo de chamar o país de reino de Maria.
E os conselhos que ele escreveu para o filho foram tão levados a sério que Santo Emérico morreu jovem, já com fama de santidade, antes de assumir o trono.
O que muita gente acredita e não é verdade
Que ele é o Estêvão apedrejado da Bíblia. Não é: são dois santos diferentes, com mil anos de distância, e festas em datas diferentes.
Que o nome dele é feminino. Aparece por aí a forma Estela da Hungria, provavelmente por erro de leitura de lista antiga. O santo é Estêvão, rei, e a mulher santa da mesma família é a Beata Gisela da Baviera, esposa dele.
Como e quando rezar
A ele se reza por quem governa, por quem lidera família ou comunidade, e por conversão de povo inteiro, que é o que ele fez em vida.
O dia é 16 de agosto. Uma forma simples de rezar é entregar a Maria o que se tem nas mãos, repetindo o gesto do rei, e terminar com uma Ave-Maria.