Quem é Santo Antão
Santo Antão é conhecido por muitos nomes: Antão do Egito, Antão o Grande, Antão o Eremita, Antão o Anacoreta, Antão Abade, e o mais bonito de todos, pai de todos os monges. Foi o mais destacado entre os Padres do Deserto.
A importância dele na história cristã é difícil de exagerar. Toda vida monástica do Ocidente e do Oriente, com mosteiros, regras e votos, tem raiz naquilo que ele começou sozinho, no deserto, sem plano nenhum de fundar coisa alguma.
A origem, com as datas
Nasceu em Coma, no coração do Egito, por volta de 250. Ficou órfão aos vinte anos e tomou a decisão que mudou a história da Igreja: distribuiu todos os bens da família aos pobres e foi viver no deserto.
Primeiro num deserto próximo, depois nas margens do Mar Vermelho, onde permaneceu por mais de oitenta anos, dedicado à ascese e à oração. Os relatos antigos descrevem em detalhe a luta dele contra as tentações, e essa parte da história atravessou séculos na literatura e na pintura.
O que existe hoje
A herança dele é a vida monástica inteira. Os mosteiros coptas do Egito continuam ativos, e o Mosteiro de Santo Antão, no deserto oriental egípcio, é apontado como um dos mais antigos do mundo cristão.
A festa é celebrada em 17 de janeiro na Igreja Católica e no calendário atual da Igreja Ortodoxa, e em 30 de janeiro no calendário antigo ortodoxo e copta. Em muitos lugares, nesse dia se abençoam os animais domésticos e as estrebarias.
Onde visitar
No Egito, o destino é o mosteiro que leva o nome dele, no deserto oriental, perto do Mar Vermelho, na região onde viveu.
No Brasil e em Portugal, a devoção aparece sobretudo no interior e em comunidades rurais, e em janeiro é comum a bênção de animais na porta da paróquia, com gente levando cachorro, gato, cavalo e até galinha.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 17 de janeiro. A bênção dos animais é o gesto mais característico da data, e em algumas cidades ela virou evento da comunidade, com fila de bichos e de donos.
Coisas que pouca gente sabe
Na arte, ele é representado quase sempre ao lado de um porco com um sininho pendurado no pescoço. A imagem tem explicação histórica: os religiosos que cuidavam de doentes sob o patrocínio dele tinham licença para criar porcos soltos, e o sino identificava os animais da congregação.
Outro detalhe: ele não fundou ordem nenhuma. Foi para o deserto para ficar sozinho, e a vida monástica nasceu porque outros foram atrás dele. O pai de todos os monges nunca escreveu uma regra.
O que muita gente acredita e não é verdade
A confusão mais comum no Brasil é com Santo Antônio de Pádua, e ela é compreensível: em várias línguas, Antão é chamado Antônio Abade. São dois santos diferentes, separados por mil anos, com festas distintas.
Também se pensa que ele é padroeiro dos animais por gostar de bichos, e nada mais. A tradição conta que alimentava os animais selvagens do deserto, e a iconografia do porco vem de um costume medieval bem concreto, ligado ao cuidado de doentes.
E há quem imagine o deserto dele como lugar de paz e silêncio agradável. Os relatos antigos descrevem o contrário: uma luta espiritual dura, e é isso que a tradição chama de tentações de Santo Antão.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo Antão pelos animais da casa e da lavoura, por quem enfrenta tentação forte e por quem precisa de silêncio para se reencontrar. É devoção de quem quer largar peso.
Em 17 de janeiro, o costume é levar os animais para a bênção. Em casa, um Pai-Nosso pela própria luta interior, dito no começo do dia, é a forma mais fiel ao que ele viveu.