Quem é Santa Rosália
Santa Rosália é a padroeira de Palermo, na Sicília, e os palermitanos a chamam de Santuzza, que quer dizer santinha. A história dela tem duas partes: a vida escondida e a descoberta, quatro séculos depois.
Nasceu em Palermo, em família nobre normanda, filha de Sinibaldo, senhor da região dos montes da Quisquina e das Rosas, e de Maria Guiscarda, sobrinha do rei normando Rogério II. As fontes divergem sobre o ano do nascimento: aparecem 1125 e 1130.
A origem, com as datas
Ela viveu na corte de Rogério II e depois deixou tudo. Retirou-se como eremita, primeiro na região da Quisquina e depois numa gruta do Monte Pelegrino, perto de Palermo.
Ali passou o resto da vida em solidão, oração e penitência, e ali morreu, em 4 de setembro de 1160. Algumas fontes registram 1166, e a divergência não está resolvida.
As relíquias achadas em 1624
Passaram-se quase quatro séculos e ninguém sabia onde ela estava. Em 15 de junho de 1624, seguindo a indicação de uma mulher, frades franciscanos do convento do Monte Pelegrino encontraram os restos dela na gruta.
Em agosto do mesmo ano, dois pedreiros que trabalhavam no convento dos dominicanos encontraram outra gruta, com uma inscrição: eu, Rosália Sinibaldi, pelo amor de meu Senhor Jesus Cristo, decidi morar nesta gruta, em Quisquina. É o testemunho dela sobre a própria escolha, escrito na pedra.
A peste, e o que a cidade atribui a ela
O ano de 1624 foi o ano da peste na Sicília. Terminado o processo de reconhecimento das relíquias, em junho de 1625 elas foram levadas em procissão solene por toda a cidade de Palermo.
Segundo a tradição, a peste cessou de repente depois daquela procissão, e é por isso que Rosália é padroeira da cidade até hoje. Em 1630, o Papa Urbano VIII a inseriu no Martirológio Romano com duas festas: 15 de julho, pela descoberta das relíquias, e 4 de setembro, o dia da morte.
O que existe hoje
O Festino, nome dado à procissão e às festas em honra dela, dura cinco dias e acontece todos os anos entre 10 e 15 de julho, em Palermo.
O ápice é em 15 de julho: procissão solene com as relíquias pelas ruas principais e fogos nas escadarias da catedral. Em 2024, a cidade celebrou os quatrocentos anos da festa.
Onde visitar
Na Itália, o endereço é Palermo: a gruta no Monte Pelegrino, hoje santuário, e a catedral, onde estão as relíquias dela.
No Brasil, a devoção chegou com a imigração italiana, e é nas comunidades de origem italiana que o nome dela aparece. Não localizei santuário brasileiro dedicado a ela, e por isso não indico um endereço aqui.
Quando a Igreja celebra
São duas datas, e cada uma tem motivo. Em 4 de setembro é o dia da morte, que a Igreja chama dies natalis, o nascimento para o céu. Em 15 de julho, em Palermo, celebra-se a descoberta das relíquias, em 1624, e é essa a festa grande da cidade.
Coisas que pouca gente sabe
Ela deixou por escrito a razão da escolha dela, na pedra da gruta. É raro: quase nenhum eremita do século XII deixou registro em primeira pessoa, e a inscrição encontrada em 1624 é dela.
Outro dado: ela era parente do rei. A vida na gruta não foi consequência de pobreza, foi renúncia de quem tinha corte, nome e futuro garantido.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que ela foi mártir. Não foi: morreu de causa natural, sozinha, depois de anos de vida eremítica, e o título dela é virgem e eremita.
Também se pensa que a festa de 15 de julho é o dia da morte dela. É a data da descoberta das relíquias; a morte foi em 4 de setembro.
E há quem confunda Santa Rosália com Santa Rosa de Lima ou com Santa Rosa de Viterbo. São santas diferentes, e a lista de devoções tem verbete próprio para cada uma.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Rosália em tempo de epidemia e de doença que assusta a cidade inteira, e por quem escolhe uma vida discreta e é cobrado por isso. É também a santa de quem reza sozinho, sem comunidade.
Em 4 de setembro, um modo simples é rezar em silêncio por dez minutos, sem palavras próprias, e pedir por quem está doente na sua rua.