Quem foi Santa Margarida de Youville
Ela nasceu Marie Marguerite Dufrost de Lajemmerais, em 15 de outubro de 1701, em Varennes, no Quebec, quando aquilo ainda se chamava Nova França.
É a primeira pessoa nascida no Canadá a ser canonizada, e a obra dela, as irmãs cinzentas, atravessou quase três séculos cuidando de gente que ninguém queria.
A origem, com as datas
Ela estudou dois anos no internato das ursulinas, na cidade de Quebec, e voltou para casa aos 12 anos para ajudar a ensinar os irmãos menores.
Em 12 de agosto de 1722 casou-se com François d'Youville, comerciante de peles e de bebida. O casamento foi duro: ele era ausente e pouco confiável nos negócios.
Ele morreu em 1730. Ela ficou viúva grávida do sexto filho, com apenas dois filhos vivos e uma pilha de dívidas para pagar. Tinha 29 anos.
O começo da obra
Em 1737, com três companheiras, ela fez os primeiros votos e começou a acolher pobres em casa. A declaração formal do grupo veio em 1745.
Dez anos depois do começo, elas assumiram o Hospital Geral de Montreal, que estava em ruína administrativa, e o levantaram. A casa recebia quem os outros hospitais recusavam: pobres, pessoas com epilepsia, doentes de lepra, mulheres agredidas, padres doentes e velhos sem família.
O apelido que virou nome
O nome oficial da congregação é Irmãs de Caridade de Montreal. Mas o mundo as chama de irmãs cinzentas, e a origem disso é uma ofensa.
Em francês, chamá-las de "les grises" significava as cinzentas e também as bêbadas, gozação com o comércio de bebida do marido dela. A cidade repetiu o apelido, e houve até padre que negou a comunhão às irmãs por causa do falatório.
Ela fez o contrário do esperado: adotou o apelido. Ficou irmãs cinzentas, e assim está nos documentos até hoje.
A morte e a canonização
Ela morreu em 23 de dezembro de 1771, em Montreal.
O Papa João XXIII a declarou beata em 1959 e a chamou de Mãe da caridade universal. O Papa João Paulo II a canonizou em 9 de dezembro de 1990, e foi a primeira vez que a Igreja canonizou alguém nascido em terra canadense.
Onde visitar
No Canadá, o roteiro tem dois pontos claros: Varennes, cidade onde ela nasceu, e Montreal, onde estão a casa-mãe das irmãs cinzentas e a memória do Hospital Geral.
No Brasil não há santuário dedicado a ela, e a devoção chega pelo caminho das congregações de caridade que se inspiram na mesma história: viúva, dívida, casa aberta.
Quando a Igreja celebra
No Canadá a memória é em 16 de outubro, e não no dia da morte dela.
Vale um aviso prático para quem procura a data: 16 de outubro é dia de mais de uma Santa Margarida no calendário, e essa coincidência confunde muita gente.
Coisas que pouca gente sabe
O apelido cinzentas nasceu de gozação com bebida, e ela transformou o insulto em nome oficial de família religiosa. Poucas congregações no mundo carregam uma piada de rua no nome próprio.
Ela pagou as dívidas do marido antes de abrir a obra, e não depois. Sem isso, nada teria começado.
E dos seis filhos que teve, apenas dois chegaram à vida adulta. Os dois se tornaram padres.
O que muita gente acredita e não é verdade
Existem duas Margaridas famosas em Montreal, e o público troca uma pela outra: Margarida Bourgeoys, do século 17, que fundou a Congregação de Nossa Senhora e trabalhou com educação; e esta, do século 18, viúva e fundadora das irmãs cinzentas. São pessoas diferentes, com obras diferentes.
Também é comum ouvir que ela sempre foi religiosa. Não foi: viveu oito anos de casamento difícil, enterrou o marido, criou dois filhos e só depois de tudo isso começou a obra.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Margarida de Youville por viúvas, por mães que criam filhos sozinhas e por famílias que herdaram dívida e não sabem por onde começar.
Ela também é procurada por quem sofre fofoca e injustiça na própria comunidade, porque foi isso que ela atravessou por anos, e por quem trabalha em casa de acolhida e hospital de pobre.