Quem foi Santa Maria Eufrásia Pelletier
Ela nasceu Rose-Virginie Pelletier, em 31 de julho de 1796, na ilha de Noirmoutier, no litoral da França. É conhecida no Brasil como Madre Pelletier, e é a fundadora das irmãs do Bom Pastor.
O trabalho da vida dela tem um endereço social bem definido: meninas e mulheres pobres, presas, exploradas ou abandonadas, num tempo em que quase ninguém as olhava.
A origem, com as datas
Aos 16 anos entrou como postulante no mosteiro de Tours, da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio. Em 9 de setembro de 1817 tomou o nome religioso de Maria de Santa Eufrásia.
Aos 29 anos foi eleita superiora daquela casa. Foi ali que criou o grupo das madalenas: jovens que tinham deixado a prostituição e queriam vida religiosa, e para quem ela escreveu uma regra própria, em estilo de Carmelo.
Em 1829 foi enviada a Angers para abrir uma casa nova, que ficou conhecida como a Casa do Bom Pastor. Em 1831 assumiu como superiora dessa casa. E em 3 de abril de 1835 o Papa Gregório XVI aprovou o generalato, o formato de governo que permitia às casas trabalharem unidas: nascia a Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor de Angers.
Ela morreu em Angers, em 24 de abril de 1868. Entre 1829 e 1868 fundou 111 casas. Quando morreu, a congregação tinha 2.376 religiosas e cuidava de cerca de 15 mil meninas e jovens.
As irmãs do Bom Pastor no Brasil
A história brasileira começa em 1891. A superiora geral de Angers aprovou o projeto em março daquele ano e nomeou Madre Maria de São Francisco Xavier Novôa para liderar a missão.
As religiosas embarcaram no vapor Equador em 22 de julho de 1891 e chegaram à Baía de Guanabara na madrugada do dia 28. A sede da primeira casa do Bom Pastor no Brasil foi bendita em 21 de novembro de 1891, festa da Apresentação de Nossa Senhora.
Em 1906 já eram quatro casas, uma delas em São Paulo, com 35 religiosas no país. Na década de 1910 as irmãs chegaram ao sertão da Bahia, nas cidades de Barra e Caetité. Nos anos 1920 abriram casas em Belo Horizonte, Recife, Pelotas, Petrópolis e no Ceará.
O nome dela numa penitenciária brasileira
Aqui está o fato que quase ninguém liga à santa: a primeira penitenciária feminina do Brasil, inaugurada em Porto Alegre em 1937, foi organizada e administrada pelas irmãs do Bom Pastor de Angers.
A casa mudou de nome várias vezes: Escola de Reforma em 1936, Reformatório de Criminosas em 1940, Instituto Feminino de Readaptação Social em 1950. Em 1970 recebeu o nome que tem até hoje, Madre Pelletier, em homenagem à fundadora.
É por isso que muita gente no Rio Grande do Sul ouve "Madre Pelletier" e pensa num presídio, sem saber que o nome é de uma santa francesa do século 19.
O que existe hoje
A congregação continua trabalhando em dezenas de países, e o carisma não mudou de público: mulheres e meninas em situação de risco.
Hoje as irmãs do Bom Pastor têm status consultivo no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e atuam no enfrentamento ao tráfico de pessoas, que é a forma contemporânea do problema que Madre Pelletier encontrou em 1829.
Onde visitar
O centro de tudo é Angers, no vale do Loire, na França, onde estão a casa-mãe da congregação e o túmulo dela. A ilha de Noirmoutier, onde nasceu, fica no litoral atlântico francês e completa o roteiro.
No Brasil não existe santuário dedicado a ela, e o caminho é outro: as obras sociais do Bom Pastor, espalhadas por várias capitais, e as comunidades das irmãs.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 24 de abril, dia da morte dela. O Martirológio Romano registra o elogio dela nessa data.
O Papa Pio XI a declarou beata em 30 de abril de 1933. O Papa Pio XII a canonizou em 2 de maio de 1940, na Basílica Vaticana.
Coisas que pouca gente sabe
O nome Bom Pastor não é dela nem de uma santa: é título de Jesus, tirado do Evangelho de João, e a congregação o adotou para dizer qual é o método, ir atrás de quem se perdeu.
Ela viveu 71 anos e fundou casa nova a cada quatro meses, na média dos 39 anos entre a primeira e a última.
E as madalenas, o grupo que ela criou em Tours, mostram o tamanho da aposta dela: em 1817, propor que uma ex-prostituta se tornasse religiosa era escandaloso até dentro dos conventos.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde as irmãs do Bom Pastor com as Irmãs Pastorinhas e com a devoção à Divina Pastora. São três coisas diferentes: a congregação de Angers, fundada por ela; uma congregação italiana do século 20; e um título de Nossa Senhora.
Outra confusão comum é pensar que Madre Pelletier era uma diretora de prisão. Ela nunca esteve no Brasil e morreu em 1868, quase 70 anos antes de a penitenciária de Porto Alegre existir. O nome foi dado em homenagem, em 1970.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Maria Eufrásia Pelletier por mulheres e meninas em situação de violência, exploração ou prisão, e por quem trabalha com elas: assistentes sociais, agentes de pastoral carcerária, educadores, religiosas.
Também é procurada por quem precisa recomeçar depois de uma queda pública, porque foi exatamente essa a especialidade dela.