Quem é Santa Gertrudes
Santa Gertrudes viveu no século XIII, na Alemanha, num mosteiro chamado Helfta.
Era beneditina, escreveu bastante e é considerada uma das grandes místicas da Idade Média. Por isso ficou conhecida como Gertrudes Magna, ou seja, Gertrudes a Grande.
Foi canonizada em 1677, e a festa dela é 16 de novembro.
É invocada, sobretudo, como padroeira das almas do purgatório, e é dessa devoção que trata esta página.
A oração de Santa Gertrudes pelas almas
Esta é a oração:
Eterno Pai, ofereço-Vos o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as Missas que hoje são celebradas em todo o mundo, por todas as santas almas do purgatório, pelos pecadores de todos os lugares, pelos pecadores de toda a Igreja, pelos de minha casa e de meus vizinhos. Amém.
Ela não pede: oferece
Leia de novo o primeiro verbo. Não é "dai-nos", não é "concedei", não é "livrai-me".
É ofereço.
Quem reza essa oração não está na posição de quem estende a mão. Está na posição de quem entrega alguma coisa.
E o que ela oferece não é mérito próprio, esforço nem sacrifício de quem reza. É o sangue de Cristo, ou seja, uma coisa que já foi dada e que a pessoa apenas apresenta de novo.
Isso muda o lugar de quem está rezando: não é o suplicante, é o mensageiro.
Em união com todas as Missas do mundo
Agora a parte mais bonita, e ela passa despercebida.
A oração diz: em união com todas as Missas que hoje são celebradas em todo o mundo.
Pare e imagine o que isso significa. Em qualquer momento do dia, há Missa acontecendo em algum lugar do planeta, e são muitas ao mesmo tempo, em línguas que a gente nunca ouviu, em lugares que a gente nunca viu.
Quem reza essa oração, de dentro de casa, num quarto qualquer, está pedindo para entrar nessa corrente.
É uma frase curtíssima que amarra a pessoa sozinha ao que a Igreja inteira está fazendo naquele instante.
Sobre a promessa das mil almas
Muita gente chega até esta oração por causa de uma promessa: a de que cada vez que ela é rezada, mil almas seriam libertadas do purgatório.
Vale saber duas coisas.
A primeira é que essa promessa não aparece nos escritos de Santa Gertrudes. Os textos dela existem, foram publicados e são acessíveis, e o número não está lá.
A segunda é que a Igreja Católica não trabalha com contabilidade de almas. Ela nunca garantiu quantidade por oração rezada, e chegou a se manifestar contra promessas desse tipo.
E isso não diminui a oração. Faz o contrário.
Uma oração que vale por um número é uma oração com preço. Sem o número, o que sobra é o gesto inteiro: alguém se lembrou dos mortos e ofereceu por eles o que tinha de melhor, sem saber o resultado e sem cobrar recibo.
O que a Igreja ensina sobre rezar pelos mortos
Rezar pelos que morreram é prática antiga, anterior a qualquer promessa que circule hoje, e é recomendada pela Igreja Católica.
A ideia por trás é simples: a morte não interrompe o vínculo entre as pessoas, e quem está vivo pode continuar fazendo alguma coisa por quem partiu.
O quanto isso alcança não é informação que nos foi dada.
E é justamente por isso que se reza: porque não se sabe, e porque não custa nada além do tempo de quem se importa.
Quando se reza a oração de Santa Gertrudes
Reza-se em 16 de novembro, dia da festa dela.
Reza-se no mês de novembro, que a Igreja Católica dedica à memória dos mortos.
Reza-se em aniversário de morte, em visita a cemitério e sempre que a lembrança de alguém aparece do nada.
E reza-se por quem não tem mais ninguém para rezar por ele, que é o pedido mais antigo e mais silencioso que existe.