Quem foram Perpétua e Felicidade
Perpétua e Felicidade foram duas cristãs de Cartago, cidade do norte da África que ficava onde hoje é a Tunísia. Elas morreram no ano 203, durante a perseguição do imperador romano Septímio Severo.
Perpétua era mulher de posição social, tinha cerca de vinte e dois anos e era mãe de uma criança de peito. Felicidade era escrava dela e estava grávida. As duas foram presas junto com outros jovens que se preparavam para o batismo.
O martírio, com o que a história registra
Pela lei romana, uma mulher grávida não podia ser executada, e Felicidade teria de ser mantida viva até dar à luz. Ela deu à luz na prisão e, segundo o relato, enfrentou as dores do parto e depois o anfiteatro com a mesma serenidade.
As duas foram batizadas dentro do cárcere e saíram dali para a arena. Depois de enfrentarem as feras, morreram por decapitação.
O diário que sobreviveu
Este é o ponto que torna a história delas única. Existe um texto antigo chamado A Paixão das Santas Perpétua e Felicidade, em latim Passio sanctarum Perpetuae et Felicitatis, que traz o relato da própria Perpétua sobre os dias de prisão, completado por um redator depois da morte dela.
É um dos textos cristãos primitivos mais antigos e importantes que chegaram até nós, e uma das raríssimas narrativas daquele período escritas por uma mulher, contando a própria experiência.
Por que elas são invocadas por grávidas
O padroado nasce da história de Felicidade, que deu à luz na prisão. Por causa disso, as duas são procuradas por gestantes, sobretudo por quem enfrenta gravidez em situação difícil.
Como em toda devoção ligada à saúde, vale a regra: a oração acompanha o pré-natal e o cuidado médico, e não toma o lugar deles.
O bairro de Curitiba tem o nome delas?
Aqui está a dúvida que traz mais gente a essa busca. O bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, é o reduto italiano mais conhecido do Brasil, com restaurantes, vinícolas e cantinas.
O nome dele, porém, não veio diretamente da mártir. Veio de Dona Felicidade Borges, antiga proprietária das terras da região no século XIX, e os imigrantes italianos, católicos, acrescentaram a palavra santa ao nome sugerido pelos brasileiros. A colônia foi fundada em novembro de 1878 por quinze famílias vindas do norte da Itália, e em 1891 a comunidade ergueu ali a Paróquia São José.
Ou seja: a ligação existe, mas é indireta, e passa por uma senhora que provavelmente recebeu o nome de batismo em homenagem à mártir.
Quando a Igreja celebra
A festa das duas é em 7 de março, e elas aparecem juntas no calendário, jamais separadas. Os nomes delas estão também na Oração Eucarística I, a mais antiga da missa católica.
Coisas que pouca gente sabe
O relato de prisão foi escrito pela própria mártir, e não por um biógrafo posterior. Senhora e escrava foram martirizadas juntas e são celebradas no mesmo dia, com a mesma honra, o que era socialmente impensável naquele tempo. E Felicidade deu à luz dentro da cadeia, dias antes de morrer.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que Santa Felicidade seja apenas o nome do bairro curitibano. Ela é uma mártir do ano 203, e o bairro leva o nome de uma proprietária de terras chamada Felicidade.
Também há quem confunda esta Felicidade com Santa Felicidade de Roma, mãe de sete mártires, outra santa antiga com nome parecido. São histórias distintas.
Como e quando rezar
Reza-se a elas na gravidez difícil, na prisão de alguém da família, na perseguição por causa da fé e na hora de escolher entre a fé e a segurança. A dupla também é lembrada por quem trabalha com mulheres em situação de cárcere, tema em que a história delas é a mais direta possível.