Quem foi Santa Edwiges
A Oração de Santa Edwiges é, no Brasil, a oração de quem está com dívida. Ela foi uma duquesa da Silésia, na atual Polônia, viveu de 1174 a 1243 e ficou conhecida por uma coisa muito concreta: pagava a dívida de quem estava preso por não ter como pagar. A festa dela é em 16 de outubro, e é dela que vem o título de padroeira dos endividados.
A história: a duquesa que pagava a dívida dos outros
Edwiges nasceu em 1174, em família nobre, filha de um conde. Casou-se ainda menina, com doze anos ou pouco mais, com Henrique I, duque da Silésia, e foi viver naquele ducado que hoje é o sudoeste da Polônia. Teve seis filhos.
Ela tinha dinheiro e poder, e é aí que a história fica interessante, porque ela usou os dois para uma coisa só. Com recursos próprios construiu hospitais, escolas e conventos, e visitava pessoalmente as famílias em miséria.
O episódio que explica a devoção brasileira é este: naquele tempo, o lavrador que não conseguia pagar o que devia ao proprietário da terra ia para a prisão, e a família ficava sem nada. Edwiges passou a pagar essas dívidas com o dinheiro do próprio dote, e em alguns casos foi negociar diretamente com os credores o perdão do que era devido. Ou seja: ela não rezava pelos endividados de longe. Ela quitava a conta e ia conversar com quem estava cobrando.
Quando o marido morreu, Edwiges não voltou para a vida da corte. Retirou-se para o mosteiro de Trzebnica, que ela mesma havia mandado construir, e viveu ali em jejum e oração até morrer, aos sessenta e nove anos, em 1243.
Vinte e quatro anos depois da morte, em 1267, o Papa Clemente IV a canonizou.
O que existe hoje
O mosteiro de Trzebnica, perto de Wrocław, na Polônia, guarda as relíquias dela e continua sendo o centro da devoção europeia. Edwiges é padroeira da Silésia, e o nome dela está por toda aquela região, do lado polonês e do lado alemão da história.
No Brasil, a devoção tomou um rumo próprio e muito forte. Ela virou a santa dos endividados, e é procurada por quem tem nome sujo, aluguel atrasado, financiamento apertado ou empréstimo que não fecha. Existem santuários e Paróquias dedicadas a ela em várias cidades, e em São Paulo o santuário do Sacomã reúne multidão em 16 de outubro, com filas de gente levando pedidos escritos e contas na mão.
E há uma coincidência de calendário que os católicos poloneses fazem questão de lembrar: em 16 de outubro de 1978, dia de Santa Edwiges, foi anunciada a eleição de Karol Wojtyła como Papa João Paulo II, o 264º Papa da história. O primeiro papa polonês foi eleito no dia da santa que a Polônia venera desde o século XIII.
Onde visitar
Na Polônia, o destino é Trzebnica, a poucos quilômetros de Wrocław, onde estão o mosteiro que ela fundou e o túmulo dela. É uma cidade pequena, de peregrinação tranquila, muito diferente das grandes romarias marianas.
No Brasil não é preciso ir longe. A devoção a Santa Edwiges tem santuários e Paróquias em várias capitais, e o mais conhecido fica no Sacomã, em São Paulo. Em 16 de outubro, esses lugares recebem quem vem pedir por uma dívida, e é comum a Paróquia organizar bênção e Missas ao longo do dia inteiro.
Uma dica prática: se você quer rezar com calma, evite o dia 16 e vá em qualquer outro dia. Se quer estar no meio de milhares de pessoas rezando exatamente pelo que você está rezando, então é justamente no dia 16 que você precisa ir.
Quando a Igreja a celebra
A festa de Santa Edwiges é em 16 de outubro. Ela morreu em 15 de outubro de 1243, e a memória ficou no dia seguinte.
No Brasil, muitas Paróquias rezam a novena nos nove dias que antecedem a data, terminando no dia 16. Como a data cai no meio de outubro, ela acabou ficando perto de outras devoções muito fortes do mês, mas em nenhuma delas o pedido é tão específico quanto neste: gente que chega com uma conta na mão.
Coisas que pouca gente sabe
O dinheiro com que ela pagava as dívidas dos presos era o do próprio dote, ou seja, o que era dela por direito no casamento.
Ela não se limitava a pagar: ia negociar o perdão da dívida com os credores.
O mosteiro em que ela passou os últimos anos como viúva foi fundado por ela mesma, anos antes, quando ainda era duquesa.
Ela foi canonizada em 1267, vinte e quatro anos depois de morrer.
O dia dela, 16 de outubro, é a data em que foi eleito o primeiro Papa polonês da história, em 1978.
O que vale esclarecer
Aqui está a confusão mais comum, e ela é grande: existem duas Santas Edwiges polonesas, e não são a mesma pessoa.
A primeira é a nossa, Santa Edwiges da Silésia, a duquesa que viveu de 1174 a 1243, canonizada em 1267, com festa em 16 de outubro. É a ela que se reza pelas dívidas.
A segunda é Santa Edwiges, Rainha da Polônia, que viveu no século XIV e foi canonizada por São João Paulo II em 8 de junho de 1997, no dia seguinte àquele em que o Papa visitou, em Cracóvia, o templo dedicado a ela. Duas santas, dois séculos diferentes, duas histórias. Quem procura a padroeira dos endividados está procurando a duquesa.
O segundo esclarecimento é sobre o título de padroeira dos endividados: ele não é uma invenção recente nem uma leitura brasileira solta. Ele descreve exatamente o que ela fazia em vida, com o próprio dinheiro, por gente que estava presa por dívida.
Como e quando rezar
Esta é a oração de quem tem uma conta que não fecha. Dívida de cartão, financiamento atrasado, aluguel em atraso, nome negativado, empréstimo que virou bola de neve, empresa pequena que não consegue pagar o fornecedor. Também é rezada por quem emprestou e não recebeu, e por quem precisa ter uma conversa difícil sobre dinheiro dentro da própria família.
A história dela sugere um jeito de rezar que faz diferença: Edwiges pagava a dívida e ia falar com o credor. Então reze e, no mesmo dia, dê um passo concreto: escreva quanto você deve, para quem, e marque a ligação para negociar. Rezar e negociar caminham juntos nessa devoção desde o século XIII.
Como rezar: em 16 de outubro, ou na novena dos nove dias antes. Em casa, com a lista das contas na mesa, dizendo em voz alta os valores. E se der, faça como ela: quando a sua situação melhorar, ajude alguém que está na mesma dificuldade.