O que é a devoção à Santa Cruz
A Oração da Santa Cruz é uma das mais rezadas do Brasil, e o motivo é simples: a cruz é o sinal que todo católico faz várias vezes ao dia, sem pensar. Esta devoção é olhar com atenção para aquele sinal.
Não se trata de rezar a um objeto. Trata-se de rezar diante do instrumento em que Cristo morreu, e por isso as invocações da oração são dirigidas à Cruz como quem fala do que aconteceu nela: a salvação de todos.
A Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz em 14 de setembro. No Brasil, há também festas de Santa Cruz em maio, e a explicação para essas duas datas está mais adiante.
O que se pede na oração da Santa Cruz
A oração é feita de invocações curtas, repetidas, cada uma começando pelo mesmo chamado. Isso dá a ela um ritmo de ladainha, fácil de rezar de memória.
Pede-se que a Cruz seja a nossa esperança, que derrame o bem, que desvie o mal, que faça seguir o caminho da salvação e que livre dos acidentes e do que ameaça. E termina no pedido maior: conduzir com Jesus à vida eterna.
Vale reparar de onde vem a força dessa oração, porque isso muda o modo de rezar. Ela não age por ser repetida um número de vezes nem por ser levada no bolso: ela pede a Deus em nome do que Cristo fez naquele madeiro. O que se invoca é a vitória de Jesus sobre a morte, e é dela que vem tudo o mais.
Por que a festa se chama Exaltação
A palavra guarda um gesto concreto, e quase ninguém sabe qual.
Exaltar, aqui, quer dizer levantar. Em 14 de setembro do ano 335, em Jerusalém, no dia seguinte à dedicação da basílica construída no lugar do Calvário, o madeiro da Cruz foi erguido diante do povo para que todos pudessem vê-lo e adorá-lo.
Foi esse gesto que a festa guarda: alguém levantando a Cruz para o povo ver. Não é uma metáfora de louvor, é a descrição do que aconteceu naquele dia.
Santa Helena e o achado da Cruz
A história por trás daquela basílica começa com uma mulher idosa cavando em Jerusalém.
Santa Helena, mãe do imperador Constantino, foi à Terra Santa no início do século IV e mandou escavar o lugar onde Jesus havia sido sepultado. Ali, segundo a tradição, encontrou o madeiro da Cruz.
Constantino mandou erguer no local duas basílicas, dedicadas em 335: uma no Gólgota e outra sobre o sepulcro, a da Ressurreição. É desse conjunto que vem o Santo Sepulcro que os peregrinos visitam até hoje.
Sobre a data exata do achado, as fontes divergem: algumas indicam 3 de maio de 326 e outras 13 de setembro do mesmo ano. O que não se discute é o que veio depois, a dedicação das basílicas e a Cruz erguida para o povo.
A Cruz levada pelos persas
Há um episódio na história dessa relíquia que explica o peso da festa.
Em 614, o rei persa Cosroes II invadiu Jerusalém e levou a Cruz como troféu de guerra. Ela ficou fora da cidade por anos, em mãos de quem não a reverenciava.
Em 628, o imperador Heráclio a recuperou e a levou de volta a Jerusalém. A tradição guarda essa volta como uma segunda exaltação, e é por isso que a festa de 14 de setembro carrega, além da memória do ano 335, a memória de algo que foi perdido e voltou.
As duas datas: 3 de maio e 14 de setembro
Quem procura a data da Santa Cruz encontra duas, e a explicação é histórica.
Havia no calendário duas festas. Em 3 de maio, a Invenção da Santa Cruz, e aqui a palavra também precisa ser explicada: invenção vem do latim inventio, que quer dizer achado, descoberta. Não tem nada a ver com inventar. Era a festa do dia em que a Cruz foi encontrada.
Em 14 de setembro, a Exaltação, que celebrava a dedicação das basílicas e a Cruz erguida ao povo.
Por decisão da Santa Sé, em 25 de julho de 1960, a festa de 3 de maio foi suprimida do calendário romano, e a celebração da Cruz ficou concentrada em 14 de setembro. A memória, porém, não se perdeu no Brasil.
As festas de Santa Cruz no Brasil
Aqui a data de maio continuou viva, e em muitos lugares ela é a festa grande do ano.
Em várias regiões, sobretudo no Nordeste, as festas de Santa Cruz começam no início de maio e duram vários dias, com reza, cânticos e cortejo. Santa Cruz dos Milagres, no Piauí, é um dos lugares em que essa tradição é mais forte.
Há ainda um sinal dessa devoção espalhado pelo país e que passa despercebido: os cruzeiros, aquelas cruzes de madeira ou pedra levantadas em praça, em entrada de cidade e em beira de estrada. Cada um deles é um lugar onde alguém decidiu erguer a Cruz para quem passasse ver, que é exatamente o gesto da Exaltação.
Quando se reza a oração da Santa Cruz
Reza-se em 14 de setembro, na festa, e em maio, onde a tradição de Santa Cruz é celebrada.
Reza-se na Sexta-feira Santa, dia em que a Igreja inteira se detém diante da Cruz, e na Via Sacra da Quaresma.
Reza-se em momento de perigo e de aflição, que é o uso mais comum dela no Brasil. E reza-se ao fazer o sinal da cruz com atenção, devagar, uma vez ao dia: é a oração mais curta da devoção e a única que todo católico já sabe de cor.