Quem foi Santa Cândida
Santa Cândida é uma das mártires dos primeiros tempos do cristianismo, venerada em Nápoles, na Itália, e celebrada em 20 de setembro.
O povo napolitano a trata como a primeira pessoa convertida na cidade, e é dessa memória que nasce a devoção. O Martirológio Romano registra a morte dela no anfiteatro de Cartago, no norte da África.
A tradição de Nápoles, e o que ela conta
Vale dizer com clareza: o que se conhece dela vem de tradição antiga, não de documento de arquivo, e a própria devoção sempre foi transmitida assim.
A tradição conta que o apóstolo Pedro atravessou Nápoles a caminho de Roma e encontrou na estrada uma menina doente, chamada Cândida. Ele a curou e ela se tornou cristã. O lugar do encontro ficou conhecido como Ara Petri, que quer dizer altar de Pedro.
Antes de seguir viagem, o apóstolo consagrou Aspreno como primeiro bispo de Nápoles e pediu que Cândida continuasse o trabalho de anunciar a fé na cidade.
A gruta e o martírio
Cândida deixou a casa confortável em que vivia e passou a morar numa gruta perto do Ara Petri, em oração e penitência, catequizando quem aparecia.
Presa durante a perseguição romana aos cristãos, foi levada com outros para Cartago. Condenada por se recusar a negar a fé, morreu no anfiteatro daquela cidade. É esse o martírio que o calendário lembra em 20 de setembro.
Onde estão as relíquias
As relíquias dela foram encontradas nas Catacumbas de Priscila, em Roma, e hoje estão guardadas no templo de Santa Maria dos Milagres, na mesma cidade.
Em Nápoles, pesquisa arqueológica no local conhecido como Ara Petri encontrou um cemitério cristão antigo, o que ajuda a explicar por que a memória do lugar atravessou tantos séculos.
Uma paróquia com o nome dela em São Paulo
No Brasil, quem quiser rezar num lugar dedicado a ela tem endereço certo: a Paróquia Santa Cândida, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, na Avenida Doutor Ricardo Jafet.
A comunidade a apresenta exatamente como a santa de Nápoles, e é ali que a festa de 20 de setembro é celebrada com a comunidade reunida.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 20 de setembro, e é a data que aparece no Martirológio Romano e nos calendários das paróquias que a têm como padroeira.
Coisas que pouca gente sabe
O nome Cândida vem do latim e quer dizer branca, limpa, sem mancha. Era nome comum entre os primeiros cristãos, e isso explica por que ele aparece mais de uma vez nas listas antigas de mártires.
O bispo Aspreno, que a tradição liga a ela, é considerado o primeiro bispo de Nápoles, e a Catedral da cidade guarda essa memória até hoje.
E a devoção dela tem endereço social bem definido: os fiéis a escolheram padroeira das famílias e dos doentes, por causa da cura que a tradição conta no primeiro encontro com o apóstolo.
O que muita gente acredita e não é verdade
Existe mais de uma Cândida no calendário cristão antigo, e as histórias se misturam com facilidade. A que a devoção napolitana celebra é esta, ligada ao apóstolo Pedro e morta em Cartago.
Também é comum tratar a história do encontro na estrada como fato documentado. Não é: é tradição, e tratá-la como tradição não diminui a devoção, apenas diz a verdade sobre a origem dela.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Cândida por doentes da família, especialmente crianças, e pela paz dentro de casa. É a devoção que o povo construiu em cima da cura de uma menina.
A festa de 20 de setembro é o dia natural para isso, e nas paróquias dedicadas a ela costuma haver novena nos nove dias anteriores.