Quem foi Santa Bárbara
A Oração de Santa Bárbara é rezada, antes de tudo, quando o céu fecha: ela é invocada como protetora nas tempestades, nos trovões e nos raios. Bárbara viveu no fim do século III, em Nicomédia, cidade da Ásia Menor que hoje se chama Izmit, na Turquia, e morreu mártir pela fé, morta pelo próprio pai. A Igreja celebra a memória dela em 4 de dezembro. Ela é padroeira dos bombeiros, dos mineiros e de quem trabalha com fogo.
A história: a torre de três janelas
Bárbara era filha de Dióscoro, um nobre de Nicomédia. Segundo o que a devoção guarda, ele tinha ciúme da beleza da filha e a manteve presa numa torre, para afastar pretendentes ao casamento. A torre tinha duas janelas.
Foi ali dentro que ela se tornou cristã. E foi ali que fez o gesto que ficou na memória da Igreja: pediu que abrissem uma terceira janela, em honra da Santíssima Trindade. Três janelas, três Pessoas, num lugar construído para mantê-la longe do mundo. A tradição conta também que ela mandou esculpir uma cruz na parede, para lembrar a Paixão de Jesus.
Numa das viagens do pai, Bárbara fugiu para ser batizada. Quando ele voltou e soube, a perseguiu. Ela foi presa e torturada, e no fim foi o próprio pai quem lhe cortou a cabeça com uma espada.
A tradição guarda ainda o que aconteceu depois: ao voltar do lugar do martírio, Dióscoro foi atingido e morto por um raio. É desse relato que nasce o motivo pelo qual, até hoje, tanta gente reza a Santa Bárbara quando o tempo vira e o trovão começa.
O que existe hoje
A devoção a Santa Bárbara atravessou os séculos e chegou aos lugares onde se trabalha com perigo. Ela é padroeira dos bombeiros e de quem lida com fogo, dos mineiros e, tradicionalmente, dos artilheiros, e é invocada por quem trabalha exposto a explosão, desabamento ou incêndio.
No Brasil, o nome dela está espalhado pelo mapa: existem cidades chamadas Santa Bárbara em São Paulo, em Minas Gerais, no Pará e em outros estados, quase sempre com uma Paróquia dedicada a ela no centro. É por isso, aliás, que buscar o nome dela na internet devolve tanto resultado de cidade quanto de devoção.
A festa de 4 de dezembro é uma das mais fortes do calendário devocional em Minas Gerais, nas regiões de mineração, e na Bahia, onde a data enche as ruas de Salvador. Em muitas Paróquias, o dia inclui bênção dos bombeiros e dos trabalhadores das minas.
Onde visitar
Nicomédia, a cidade onde ela viveu, é hoje Izmit, na Turquia, e não é um destino de peregrinação organizado como Assis ou Aparecida. Quem quer rezar diante de uma imagem dela encontra o caminho bem mais perto.
Em Minas Gerais, a região mineradora tem Paróquias antigas dedicadas a Santa Bárbara, e a cidade que leva o nome dela, no Alto Paraopeba, celebra a festa como o maior evento do ano. Em Salvador, o 4 de dezembro reúne multidão. Em São Paulo, a cidade de Santa Bárbara d'Oeste tem a devoção no próprio nome.
Uma sugestão prática de romeiro: se você conhece alguém que trabalha em mina, em obra, no corpo de bombeiros ou com eletricidade, o melhor jeito de viver essa festa é ir à Missa de 4 de dezembro junto com essa pessoa. É a devoção de quem trabalha com risco, e ela fica mais verdadeira assim.
Quando a Igreja a celebra
A memória de Santa Bárbara é em 4 de dezembro, e é a data em que a Igreja a celebra atualmente.
A festa cai dentro do Advento, o tempo de espera do Natal, e no Brasil ela abre uma sequência de datas muito rezadas em dezembro: Santa Bárbara em 4, Nossa Senhora de Guadalupe em 12, Santa Luzia em 13.
Nas Paróquias das regiões de mineração, é comum a novena nos nove dias que antecedem o dia 4, com bênção de ferramentas e equipamentos de trabalho no fim.
Coisas que pouca gente sabe
A terceira janela da torre não foi capricho: foi um sinal da fé na Santíssima Trindade, e é o gesto que mais define a história dela.
Ela é padroeira dos bombeiros e dos mineiros, e essas duas devoções nasceram do mesmo motivo: são trabalhos em que fogo, explosão e desabamento fazem parte do dia.
A ligação dela com os raios vem do que a tradição conta sobre a morte do pai, atingido por um raio depois do martírio.
A cidade onde ela viveu, Nicomédia, existe até hoje com outro nome: Izmit, na Turquia.
O nome dela batiza cidades brasileiras em vários estados, e isso é herança direta da devoção trazida por mineradores e colonos.
O que vale esclarecer
O primeiro esclarecimento é sobre a origem da proteção contra tempestades. Não é uma associação solta: ela vem do relato guardado pela devoção, segundo o qual o pai de Bárbara, depois de matá-la, foi atingido por um raio. Quem reza a ela num temporal está rezando dentro dessa história.
O segundo é sobre a torre e as janelas, que aparecem em toda imagem dela. A torre era o cárcere onde o pai a manteve. As três janelas foram o pedido dela, em honra da Santíssima Trindade. Quando você vê uma imagem de Santa Bárbara com uma torre ao lado, está vendo essas duas coisas ao mesmo tempo: a prisão e a profissão de fé feita dentro dela.
O terceiro é sobre o nome. Muita gente procura Santa Bárbara e encontra cidades, bairros e empresas. São nomes que vêm da devoção, e não o contrário: primeiro veio a santa, depois vieram os lugares que pediram a proteção dela.
Como e quando rezar
Esta é a oração do medo concreto. Reza-se a Santa Bárbara quando o temporal chega e a casa é frágil, quando alguém da família trabalha em altura, em mina, em obra ou com eletricidade, quando o trovão assusta as crianças, quando existe risco de incêndio ou de explosão em volta.
Ela também é rezada por quem se sente preso a uma situação, e essa é uma leitura fiel da história dela: a fé de Bárbara nasceu dentro de uma torre onde ela havia sido trancada. Quem está numa situação sem saída pode pedir, como ela, a terceira janela.
Como rezar: no dia 4 de dezembro, ou na novena dos nove dias antes. Em casa, quando o tempo fechar, com a família reunida e as crianças por perto, porque é assim que essa devoção se transmite no Brasil há gerações. E, se você conhece alguém que trabalha com risco, reze o nome dessa pessoa em voz alta.