Quem foi Santa Adília
Santa Adília nasceu no reino franco, no século 7, em família nobre. O nome dela aparece de várias formas: Adília e Adélia em português, Adela e Adula em outras línguas.
Casou-se com um nobre chamado Alberico e teve filhos. Quando ele morreu, ela tomou a decisão que definiu a vida dela: entrou na vida religiosa, em Pfalzel, perto de Trier.
A tradição sobre a família dela
A tradição germânica conta que ela era filha do rei Dagoberto II e irmã de Santa Ermínia, também abadessa.
Vale dizer com honestidade: essa filiação real não está provada, e as fontes a apresentam como tradição, não como registro. O que está firme é a origem nobre e a ligação com Santa Ermínia, que fundou o mosteiro de Oeren.
O mosteiro de Pfalzel
Aqui as fontes contam duas versões, e as duas sustentam a mesma coisa no essencial.
Uma diz que ela fundou o mosteiro de Pfalzel, por volta de 690, e foi a primeira abadessa. A outra diz que a casa foi construída para ela e que Santa Severa foi a primeira abadessa, com Adília na sucessão. As duas versões concordam em que foi ela quem governou Pfalzel e deu à casa o peso que ela teve.
A regra escolhida foi a de São Bento, a mesma dos mosteiros de Oeren e de Nivelles.
O episódio de São Bonifácio
Este é o momento humano da história dela, e é o mais bonito.
São Bonifácio, o monge inglês que evangelizou a Germânia, passou por Pfalzel. Um jovem da família de Adília, que as fontes apresentam como neto ou sobrinho dela, chamado Gregório, ficou tão impressionado com ele que decidiu segui-lo.
Adília foi contra. Ela não queria perder o menino para a estrada, e a oposição dela está registrada nas fontes. Gregório foi de todo modo, tornou-se um dos discípulos mais dedicados de Bonifácio, e é hoje São Gregório de Utrecht.
O que existe hoje
Pfalzel é hoje um bairro de Trier, cidade do sudoeste da Alemanha, uma das mais antigas do país, com conjunto romano reconhecido como patrimônio da humanidade.
Do mosteiro medieval restam vestígios e memória. A devoção a ela é local e antiga, e o nome dela aparece nos calendários de santos em português e em alemão.
Onde visitar
Trier, na Alemanha, é o destino: além de Pfalzel, a cidade guarda a catedral que conserva a memória dos primeiros bispos da região e o conjunto romano.
O mosteiro de Oeren, ligado à irmã dela, fica na mesma cidade. No Brasil não existe santuário dedicado a ela.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 24 de dezembro, dia da morte dela, em 735. Parte dos calendários católicos a celebra em 3 de janeiro, para não concorrer com a véspera do Natal.
Quem quiser rezar a ela pode escolher qualquer uma das duas datas, sabendo que as duas existem e por quê.
Coisas que pouca gente sabe
Ela morreu na véspera do Natal, e é por isso que a memória dela quase desapareceu do calendário prático: nenhuma paróquia organiza festa de santo em 24 de dezembro.
O nome Adília, em português, também aparece como Adélia, que é nome de cidade no interior de São Paulo e nome de pessoa muito comum. A santa é a abadessa de Pfalzel, do século 8.
E há a lição da oposição a Gregório: uma santa pode errar de julgamento. Ela tentou impedir uma vocação que a Igreja depois reconheceu como santa, e isso está registrado sem retoque nas fontes.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente trata a filiação real como fato: Adília filha do rei Dagoberto II. As próprias fontes dizem que isso não está provado, e tratar como tradição é o caminho honesto.
Também é comum confundi-la com Santa Adélia, no sentido de nome de cidade ou de pessoa. Aqui se trata da abadessa de Pfalzel, morta em 735, irmã de Santa Ermínia pela tradição.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Adília por viúvas, e especialmente por quem precisa reconstruir a vida depois de perder o marido ou a esposa.
É também a oração de avós e tias que criam sobrinhos e netos, e de quem precisa aceitar que um jovem da família escolheu um caminho que a família não queria.