Quem foi a Beata Rita Amada de Jesus
O nome de batismo dela era Rita Lopes de Almeida, e ela nasceu em 5 de março de 1848, na freguesia de Ribafeita, em Viseu, no norte de Portugal.
Rita Amada de Jesus é o nome religioso, o que ela escolheu ao entrar na vida consagrada. É por ele que a Igreja a registra.
A origem, com as datas
Ela queria a vida religiosa desde jovem, e a família queria outra coisa: um bom casamento para a filha preferida.
A resistência custou anos. Ela entrou na vida religiosa aos 29, e aos 32 fundou a própria obra, o que naquele Portugal do século 19 era coisa de mulher com determinação incomum.
A fundação, em 1880
Em 24 de setembro de 1880, com a ajuda do padre Lapa, ela fundou o Instituto das Irmãs de Jesus Maria José e inaugurou o primeiro colégio para jovens pobres e abandonadas.
O foco era esse, e não mudou: menina pobre, sem família ou sem meio de estudar. Educação como caminho de saída, num tempo em que quase ninguém pensava em escola para essas meninas.
A obra que atravessou o oceano
De Viseu a obra se espalhou: colégios nas dioceses de Castelo Branco, Porto, Viseu e Guarda.
E antes de morrer ela viu a obra chegar ao Brasil, com a inauguração de um colégio em Igarapava, no interior de São Paulo. Hoje a presença do Instituto se estende, como diz o texto oficial da beatificação, de Portugal ao Brasil, da Bolívia ao Paraguai, de Angola a Moçambique.
A frase dela
O documento oficial da Santa Sé guarda uma frase que resume a vida dela: o que sempre desejei foi que se faça a vontade de Deus Nosso Senhor.
Não é frase de efeito. Vinha de quem enfrentou família, falta de dinheiro e o anticlericalismo português do fim do século 19 para manter colégios abertos.
O milagre aconteceu no Brasil
Aqui está o detalhe que amarra essa portuguesa ao nosso país, e quase ninguém sabe.
O milagre reconhecido para a beatificação dela foi a cura de uma mulher com doença intestinal mortal, na cidade de Franca, em São Paulo, no ano de 1989. Ou seja: a beata é de Viseu, e o caso que abriu o caminho dos altares para ela foi julgado no interior paulista.
Ela morreu em janeiro de 1913. O Papa João Paulo II a declarou venerável em 20 de dezembro de 2003, e o Papa Bento XVI a declarou beata em 28 de maio de 2006, em Viseu.
Onde visitar
Em Portugal, o caminho é Viseu, cidade da beatificação, e Ribafeita, a freguesia onde nasceu.
No Brasil, o endereço são as casas e colégios do Instituto das Irmãs de Jesus Maria José, e Igarapava, no interior de São Paulo, onde a obra chegou ainda no tempo dela.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 6 de janeiro. Como beata, o culto dela é permitido em lugares determinados, como a diocese de origem e as casas da congregação, e não no calendário da Igreja no mundo inteiro.
O bispo de Viseu já pediu publicamente a conclusão do processo de canonização dela.
Coisas que pouca gente sabe
O nome dela nos nossos registros veio errado, e no masculino: Beato Rito Amado de Jesus. É Beata Rita Amada de Jesus, mulher, portuguesa, e o erro está sendo corrigido.
Ela demorou a entrar no convento porque a família resistia, e é um dos casos em que a santidade começa com um desacordo dentro de casa.
E há a coincidência de calendário: a memória dela é em 6 de janeiro, dia de Reis, data em que quase nenhuma paróquia lembra outro santo.
O que muita gente acredita e não é verdade
A confusão mais comum é com Santa Rita de Cássia, a santa das causas impossíveis, que é italiana, do século 15, e celebrada em 22 de maio. São duas pessoas diferentes, separadas por quatro séculos.
Também é comum tratá-la como santa. Ela é beata desde 2006, e o processo de canonização continua em andamento.
Como e quando rezar
Reza-se à Beata Rita Amada de Jesus por educadores, por meninas em situação de risco e por quem trabalha em escola de periferia ou em obra social de acolhimento.
É também a oração de quem enfrenta a própria família para seguir uma vocação, que foi exatamente a briga dela.