Arte sacra representando o céu com anjos em arte sacra.

Salmo 78

42 min de leitura 72 versículos

Salmo 78

¹ Hino de Asaf. Escuta, ó meu povo, minha doutrina; às palavras de minha boca presta atenção.

² Abrirei os lábios, pronunciarei sentenças, desvendarei os mistérios das origens.

³ O que ouvimos e aprendemos, através de nossos pais,

⁴ nada ocultaremos a seus filhos, narrando à geração futura os louvores do Senhor, seu poder e suas obras grandiosas.

⁵ Ele promulgou uma lei para Jacó, instituiu a legislação de Israel, para que aquilo que confiara a nossos pais, eles o transmitissem a seus filhos,

⁶ a fim de que a nova geração o conhecesse, e os filhos que lhes nascessem pudessem também contar aos seus.

⁷ Aprenderiam, assim, a pôr em Deus sua esperança, a não esquecer as divinas obras, a observar as suas leis;

⁸ e a não se tornar como seus pais, geração rebelde e contumaz, de coração desviado, de espírito infiel a Deus.

⁹ Os filhos de Efraim, hábeis no arco, voltaram as costas no dia do combate.

¹⁰ Não guardaram a divina aliança, recusaram observar a sua lei.

¹¹ Eles esqueceram suas obras, e as maravilhas operadas ante seus olhos.

¹² Em presença de seus pais, ainda em terras do Egito, ele fez grandes prodígios nas planícies de Tanis.

¹³ O mar foi dividido para lhes dar passagem, represando as águas, verticais como um dique;

¹⁴ De dia ele os conduziu por trás de uma nuvem, e à noite ao clarão de uma flama.

¹⁵ Rochedos foram fendidos por ele no deserto, com torrentes de água os dessedentara.

¹⁶ Da pedra fizera jorrar regatos, e manar água como rios.

¹⁷ Entretanto, continuaram a pecar contra ele, e a se revoltar contra o Altíssimo no deserto.

¹⁸ Provocaram o Senhor em seus corações, reclamando iguarias de suas preferências.

¹⁹ E falaram contra Deus: Deus será capaz de nos servir uma mesa no deserto?

²⁰ Eis que feriu a rocha para fazer jorrar dela água em torrentes. Mas poderia ele nos dar pão e preparar carne para seu povo?

²¹ O Senhor ouviu e se irritou: sua cólera se acendeu contra Jacó, e sua ira se desencadeou contra Israel,

²² porque não tiveram fé em Deus, nem confiaram em seu auxílio.

²³ Contudo, ele ordenou às nuvens do alto, e abriu as portas do céu.

²⁴ Fez chover o maná para saciá-los, deu-lhes o trigo do céu.

²⁵ Pôde o homem comer o pão dos fortes, e lhes mandou víveres em abundância,

²⁶ depois fez soprar no céu o vento leste, e seu poder levantou o vento sul.

²⁷ Fez chover carnes, então, como poeira, numerosas aves como as areias do mar,

²⁸ As quais caíram em seus acampamentos, ao redor de suas tendas.

²⁹ Delas comeram até se fartarem, e satisfazerem os seus desejos.

³⁰ Mas apenas o apetite saciaram, estando-lhes na boca ainda o alimento,

³¹ desencadeia-se contra eles a cólera divina, fazendo perecer a sua elite, e prostrando a juventude de Israel.

³² Malgrado tudo isso, persistiram em pecar, não se deixaram persuadir por seus prodígios.

³³ Então, Deus pôs súbito termo a seus dias, e seus anos tiveram repentino fim.

³⁴ Quando os feria, eles o procuravam, e de novo se voltavam para Deus.

³⁵ E se lembravam que Deus era o seu rochedo, e que o Altíssimo lhes era o salvador.

³⁶ Mas suas palavras enganavam, e lhe mentiam com a sua língua.

³⁷ Seus corações não falavam com franqueza, não eram fiéis à sua aliança.

³⁸ Mas ele, por compaixão, perdoava-lhes a falta e não os exterminava. Muitas vezes reteve sua cólera, não se entregando a todo o seu furor.

³⁹ Sabendo que eles eram simples carne, um sopro só, que passa sem voltar.

⁴⁰ Quantas vezes no deserto o provocaram, e na solidão o afligiram!

⁴¹ Recomeçaram a tentar a Deus, a exasperar o Santo de Israel.

⁴² Esqueceram a obra de suas mãos, no dia em que os livrou do adversário,

⁴³ quando operou seus prodígios no Egito e maravilhas nas planícies de Tânis;

⁴⁴ quando converteu seus rios em sangue, a fim de impedi-los de beber de suas águas;

⁴⁵ quando enviou moscas para os devorar e rãs que os infestaram;

⁴⁶ quando entregou suas colheitas aos pulgões, e aos gafanhotos o fruto de seu trabalho;

⁴⁷ quando arrasou suas vinhas com o granizo, e suas figueiras com a geada;

⁴⁸ quando extinguiu seu gado com saraivadas, e seus rebanhos pelos raios;

⁴⁹ quando descarregou o ardor de sua cólera, indignação, furor, tribulação, um esquadrão de anjos da desgraça.

⁵⁰ Deu livre curso à sua cólera; longe de preservá-los da morte, ele entregou à peste os seres vivos.

⁵¹ Matou os primogênitos no Egito, os primeiros partos nas habitações de Cam,

⁵² enquanto retirou seu povo como ovelhas, e o fez atravessar o deserto como rebanho.

⁵³ Conduziu-o com firmeza sem nada ter que temer, enquanto aos inimigos os submergiu no mar.

⁵⁴ Ele os levou para uma terra santa, até os montes que sua destra conquistou.

⁵⁵ Ele expulsou nações diante deles, distribuiu-lhes as terras como herança, fez habitar em suas tendas as tribos de Israel.

⁵⁶ Mas ainda tentaram a Deus e provocaram o Altíssimo, e não observaram os seus preceitos.

⁵⁷ Transviaram-se e prevaricaram como seus pais, erraram o alvo, como um arco mal entesado.

⁵⁸ Provocaram-lhe a ira com seus lugares altos, e inflamaram-lhe o zelo com seus ídolos.

⁵⁹ À vista disso Deus se encolerizou e rejeitou Israel severamente.

⁶⁰ Abandonou o santuário de Silo, tabernáculo onde habitara entre os homens.

⁶¹ Deixou conduzir cativa a arca de sua força, permitiu que a arca de sua glória caísse em mãos inimigas.

⁶² Abandonou seu povo à espada, e se irritou contra a sua herança.

⁶³ O fogo devorou sua juventude, suas filhas não encontraram desponsório.

⁶⁴ Seus sacerdotes pereceram pelo gládio, e as viúvas não choraram mais seus mortos.

⁶⁵ Então, o Senhor despertou como de um sono, como se fosse um guerreiro dominado pelo vinho.

⁶⁶ E feriu pelas costas os inimigos, infligindo-lhes eterna igomínia.

⁶⁷ Rejeitou o tabernáculo de José, e repeliu a tribo de Efraim.

⁶⁸ Mas escolheu a de Judá e o monte Sião, monte de predileção.

⁶⁹ Construiu seu santuário, qual um céu, estável como a terra, firmada para sempre.

⁷⁰ Escolhendo a Davi, seu servo, e o tomando dos apriscos das ovelhas.

⁷¹ Chamou-o do cuidado das ovelhas e suas crias, para apascentar o rebanho de Jacó, seu povo, e de Israel, sua herança.

⁷² Davi foi para eles um pastor reto de coração, que os dirigiu com mão prudente.

Autor: Asafe | Livro dos Salmos - Bíblia

Resumo

O Salmo 78 é um salmo histórico de Asafe que narra a jornada de Israel desde o Êxodo até Davi. Com 72 versículos, enfatiza a importância de ensinar as próximas gerações sobre as obras de Deus, relatando milagres, rebeliões e a fidelidade divina. Serve como lição sobre memória histórica e transmissão da fé.

Liturgia

O Salmo 78 apresenta um profundo clamor de um povo que enfrenta a devastação e a profanação de seu solo sagrado. A narrativa descreve a invasão de nações estrangeiras que transformaram Jerusalém em ruínas e trataram os corpos dos servos de Deus com desonra, deixando-os como alimento para as aves e feras, sem que houvesse sequer quem os sepultasse. Esse cenário de extrema dor coloca os fiéis em uma posição de desprezo e zombaria perante os povos vizinhos.

Diante dessa miséria, surge a pergunta angustiante: "Até quando, Senhor?". O salmista questiona se a cólera divina será eterna e suplica para que Deus não se lembre das culpas dos antepassados, mas que a Sua misericórdia venha prontamente ao encontro daqueles que estão reduzidos à extrema miséria. Há um reconhecimento explícito de que Deus é o Salvador que pode perdoar os pecados e livrar o Seu povo pela glória do Seu próprio nome.

Os pontos centrais desta reflexão incluem:

  • A Justiça Divina: O texto reconhece que a ira e o julgamento de Deus podem recair sobre as nações devido aos pecados cometidos, mas apela para que esse julgamento seja direcionado àqueles que não O reconhecem.

  • A Postura do Líder como Pastor: Mesmo em posição de autoridade, como no caso de Davi, o líder se coloca na posição de pastor, rezando, gritando e cuidando de suas ovelhas em meio às tribulações.

  • O Questionamento das Nações: Um dos maiores sofrimentos relatados é o escárnio das nações pagãs que perguntam: "Onde está o seu Deus?". Isso reflete a sensação de que as orações parecem não ser ouvidas em tempos de guerra ou injustiça social.

  • Confiança e Louvor Perpétuo: Apesar do silêncio aparente de Deus ou da demora no socorro, o povo se identifica como "ovelhas de vosso rebanho" e compromete-se a glorificar e cantar louvores de geração em geração.

Em última análise, a mensagem é de que é preciso deixar Deus ser Deus, confiando que Ele agirá no momento certo. A fé consiste em não permitir que as dificuldades impeçam o olhar voltado para o Criador, mantendo a esperança de que a salvação e a libertação virão, pois Ele é a única fonte de segurança e socorro real.

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"E tudo o que pedirem em oração, crendo, vocês receberão"

Mateus 21:22

Como Rezar Salmo 78

1.Prepare-se

Encontre um lugar tranquilo. Faça o sinal da cruz e silencie o coração.

2.Pela manhã

Reze ao acordar como escudo espiritual para o dia. Peça proteção para você e sua família.

3.À noite

Antes de dormir, recite a oração completa pedindo proteção durante o sono e paz noturna.

4.Em família

Reúna a família e rezem juntos. Cada membro pode participar da oração.

5.Com devoção

Reze com fé e confiança, entregando suas necessidades a Deus.

Perguntas Frequentes

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Fontes e Referências

Salmo 78: Não Esconderemos dos Seus Filhos | Voz da Fé