Quem foi São José
A Oração de São José é dirigida ao esposo de Maria e pai de Jesus na ordem do cuidado e da lei, o carpinteiro de Nazaré que a Igreja invoca como seu padroeiro desde 1870. Ele é o santo dos pais de família, dos trabalhadores e de quem carrega uma responsabilidade em silêncio. Duas orações a ele têm autoridade da própria Igreja: a que o Papa Leão XIII mandou rezar em 1889 e a que o Papa Francisco escreveu em 2020.
A história: o homem que nunca fala
São José aparece nos Evangelhos em momentos decisivos, e em nenhum deles diz uma palavra. Não existe uma única fala dele registrada. O que existe são gestos, e todos no mesmo sentido: ele se levanta e faz.
A primeira cena é a mais dura. Maria está grávida, e José, que ainda não sabe de onde vem aquela gravidez, decide deixá-la em segredo para não a expor. O Evangelho o chama de justo exatamente nesse momento, quando ele escolhe proteger em vez de acusar. Foi então que o anjo veio em sonho e disse para não temer.
A segunda cena é o nome. Foi José quem chamou o menino de Jesus, como o anjo havia mandado. Isso parece detalhe e não é: naquele tempo e naquele direito, dar o nome a uma criança era o gesto pelo qual um homem a reconhecia como filho. José não gerou Jesus, e o assumiu diante de todos.
A terceira é uma fuga de madrugada. Avisado outra vez em sonho, ele levanta no meio da noite, toma o menino e a mãe e sai do país. A Sagrada Família virou uma família refugiada no Egito, e ficou lá até poder voltar. Quem hoje reza a São José pedindo por quem teve de ir embora de casa está rezando com a história certa.
A última cena com ele é em Jerusalém, quando Jesus tinha doze anos e ficou no Templo. Maria diz uma frase que vale por uma biografia: teu pai e eu te procurávamos angustiados. Depois disso, José desaparece do texto. Da vida de trinta anos em Nazaré, o Evangelho guarda uma única informação sobre a profissão: era o carpinteiro, e Jesus foi conhecido como o filho do carpinteiro.
O que existe hoje
A devoção a São José não parou na Bíblia. Em 8 de dezembro de 1870, por um decreto chamado Quemadmodum Deus, o Beato Pio IX o declarou Padroeiro da Igreja Católica. Em 1889, o Papa Leão XIII escreveu a encíclica Quamquam pluries e pediu que, durante todo o mês de outubro, se rezasse a São José junto com o Rosário: a oração que ele compôs é rezada até hoje.
Nos últimos anos a presença dele cresceu ainda mais. Em 1º de maio de 2013, por decreto do Vaticano, o nome de São José passou a ser dito nas Orações Eucarísticas II, III e IV do Missal Romano, logo depois do nome da Virgem Maria. Na prática, isso significa que ele é nomeado em voz alta em quase toda Missa celebrada no mundo.
Em 8 de dezembro de 2020, nos 150 anos do decreto de Pio IX, o Papa Francisco escreveu a carta Patris corde, que termina com uma oração nova a São José. É dessa carta que vem uma das frases mais bonitas já escritas sobre paternidade: não se nasce pai, torna-se pai, e não se torna pai apenas por colocar um filho no mundo, mas por cuidar dele com responsabilidade.
Onde visitar
Nazaré, na Galileia, é a cidade onde ele viveu e trabalhou, e é para lá que vão os peregrinos que querem ver o lugar da vida escondida da Sagrada Família.
Fora da Terra Santa, o maior santuário do mundo dedicado a São José está em Montreal, no Canadá: o Oratório de São José do Monte Royal, que começou como uma capela pequena construída em 1904 pelo Irmão André, um religioso que passou a vida recebendo doentes e recomendando a São José. A basílica que existe hoje começou a ser erguida em 1924 e recebe mais de dois milhões de visitantes por ano.
No Brasil não é preciso viajar. São José é um dos padroeiros mais escolhidos pelas Paróquias do país, e provavelmente existe uma Paróquia de São José a poucos quilômetros da sua casa. Em 19 de março e em 1º de maio, é ali que a festa acontece.
Quando a Igreja o celebra
São José tem duas datas no calendário, e elas não dizem a mesma coisa.
**19 de março** é a Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria: a data principal, a mais antiga e a de maior peso litúrgico. É o dia em que a Igreja celebra quem ele foi dentro da Sagrada Família.
**1º de maio** é a memória de São José Operário, instituída em 1955 pelo Papa Pio XII, no mesmo dia em que o mundo celebra o trabalho. É o dia de rezar pelo emprego, pelo salário, pelo trabalho que dignifica e pelo trabalho que falta.
Vale saber ainda que o mês de março é dedicado a São José na devoção popular, e que outubro guarda o pedido de Leão XIII: rezar a São José depois do Rosário.
Coisas que pouca gente sabe
São José não pronuncia uma única palavra em todo o Evangelho. Tudo o que a Escritura guarda dele são ações, quase sempre começando do mesmo jeito: ele se levantou.
Quem deu o nome a Jesus foi ele. E dar o nome, naquele contexto, era o gesto jurídico de assumir a criança como filho.
Desde 2013, o nome de São José é rezado em quase toda Missa do mundo, ao lado do nome de Maria, nas Orações Eucarísticas II, III e IV.
Em 1º de maio de 2021, a Ladainha de São José recebeu sete invocações novas, aprovadas pelo Papa Francisco. Três delas falam direto com o Brasil de hoje: Padroeiro dos exilados, Padroeiro dos aflitos e Padroeiro dos pobres. As outras quatro: Guardião do Redentor, Servo de Cristo, Ministro da salvação e Amparo nas dificuldades.
A oração que Leão XIII compôs em 1889 nasceu com uma indulgência ligada a ela e com uma instrução prática: rezá-la em outubro, no fim do Rosário.
O que vale esclarecer
São José é chamado de pai de Jesus pela própria Escritura, na boca de Maria, e a Igreja o chama de esposo de Maria e guardião do Redentor. O que a fé afirma é que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo, e que José o recebeu, nomeou, criou, protegeu e ensinou a trabalhar. Ser pai, aqui, é o que ele fez todos os dias, não uma questão de sangue.
As duas datas costumam se confundir. 19 de março é a Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria. 1º de maio é a memória de São José Operário, mais recente, criada em 1955 e ligada ao mundo do trabalho. São o mesmo santo, celebrado por dois motivos.
Existem várias orações chamadas de Oração de São José, e duas delas vêm de Papas: a de Leão XIII, de 1889, e a de Patris corde, escrita pelo Papa Francisco em 2020. Quando alguém procura a oração oficial, é a uma dessas duas que está se referindo.
Como e quando rezar
São José é procurado para as coisas que ele fez na própria vida, e isso torna a oração muito concreta. Pede-se a ele pelo trabalho e pelo emprego, porque ele viveu do ofício das próprias mãos. Pede-se pela casa e pelo casamento, porque ele sustentou uma família em circunstâncias que ninguém escolheria. Pede-se pelos filhos, sobretudo quando a decisão é difícil e ninguém está vendo. E pede-se por quem está longe de casa, porque ele atravessou uma fronteira de madrugada com um menino nos braços.
Existe também um pedido antigo, guardado pela tradição da Igreja: rezar a São José pela hora da morte, a própria e a de quem se ama. A tradição o apresenta morrendo em Nazaré ao lado de Jesus e de Maria, e por isso ele é invocado como quem acompanha essa passagem.
Como rezar: a oração de Patris corde é curta, cabe de manhã antes de sair para o trabalho e dá para ensinar a uma criança em cinco minutos. A de Leão XIII é mais longa e combina com o fim do Rosário, como ele mesmo pediu. Se você quiser marcar uma data, comece em 19 de março ou em 1º de maio. E se o pedido for por trabalho, reze com o currículo do lado: São José é o santo de quem não separa oração de esforço.