Para alcançar a verdadeira liberdade interior, é essencial que o coração esteja despojado de qualquer apego às criaturas. Entende-se por criatura tudo o que pertence a este mundo: bens materiais, dinheiro, animais e até mesmo outras pessoas. O apego ocorre quando colocamos nossa segurança e felicidade em coisas frágeis que podem nos decepcionar, tornando-nos escravos em vez de seres livres.
São João da Cruz ilustra essa condição com a imagem de um passarinho preso por uma linha. Não importa se a linha é fina ou grossa; se o pássaro estiver amarrado, ele não conseguirá voar. Da mesma forma, independentemente de o apego ser pequeno ou grande, ele impede a alma de elevar-se a Deus e de desfrutar da verdadeira liberdade espiritual. Um exemplo de quem atingiu essa liberdade foi Francisco de Assis, que ao escolher a pobreza e a castidade, libertou-se das dependências humanas para amar exclusivamente a Deus.
É fundamental compreender que esse estado de pureza e desprendimento não é uma conquista puramente humana, mas um fruto da graça de Deus. Sem a assistência divina, somos limitados e muitas vezes incapazes de superar pecados ou oferecer perdão. No entanto, quando a graça se oferece, o ser humano torna-se capaz de tudo, pois o que é impossível pelas forças próprias torna-se possível pelo auxílio do Senhor.
Nos momentos em que a consolação parece ausente e nos sentimos "pobres e doentes", a recomendação é manter-se serenamente apegado à vontade de Deus. A vida espiritual possui ciclos: assim como depois do inverno vem o verão e após a tempestade surge a bonança, a provação é seguida pela consolação.
A intimidade com Deus e a amizade com Jesus exigem atitudes reais e radicais, e não apenas sentimentos passageiros. Essa união íntima é um presente gratuito, uma graça que nos restitui a amizade perdida, permitindo que vivamos uma vida de entrega e fidelidade.